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Polémicas do 25 de Novembro? Criadas para "provocar PS", diz Sousa Pinto

O deputado socialista Sérgio Sousa Pinto defendeu hoje que as polémicas sobre o 25 de Novembro foram criadas durante a 'geringonça' para "provocar" o PS, criticando o seu partido por não ter assumido diferenças com o PCP nesta matéria.

Polémicas do 25 de Novembro? Criadas para "provocar PS", diz Sousa Pinto

"As polémicas do 25 de Novembro não têm rigorosamente nenhum sentido e foram criadas artificialmente por razões de oportunismo político", declarou Sérgio Sousa Pinto na conferência "As ameaças às democracias europeias (o 25 de Novembro, uma perspetiva portuguesa)", que decorreu hoje em Lisboa e foi organizada pela Associação LAD e pelo partido político europeu ALDE.

Salientando que o "PS sempre se considerou uma espécie de proprietário do 25 de Novembro", Sérgio Sousa Pinto defendeu que a polémica à volta dessa data "foi ressuscitada" pela direita durante o período da 'geringonça' "por razões de esperteza saloia" e para explorar divisões entre o os socialistas e os seus parceiros à esquerda.

"A direita percebeu que (...) isto era um fator de fricção interna na 'geringonça' e começou a celebrar o 25 de Novembro para provocar o PS. E o PS, que deveria ter assumido as suas diferenças em relação ao PCP, ter honrado a sua história e ter comemorado o 25 de novembro, começou a assobiar para o lado e a exibir um desconforto com o 25 de novembro, que ele fez", sublinhou, acrescentando que "é uma pena" que os socialistas tenham feito essa opção.

Durante esta intervenção, Sérgio Sousa Pinto, que foi crítico da 'geringonça' aquando da sua formação, reiterou a sua oposição à solução política que permitiu que o PS assumisse o Governo em 2015, considerando que, contrariamente à narrativa atual, "nunca houve nenhum frentismo de esquerda" em Portugal e a que a ideia de uma "esquerda unida" se trata de uma "lenda e narrativa" recentemente inventada.

"Eu já sou de uma época magnífica, em que tive amigos de esquerda, amigos de direita, amigos comunistas. (...) Quando eu falava com os meus amigos comunistas -- sobretudo os mais velhos --, o único partido que eles verdadeiramente odiavam era o PS, muito mais que a direita", sublinhou.

Intervindo antes de Sérgio Sousa Pinto, a antiga deputada do PCP e do PSD, Zita Seabra, sublinhou que a transição do Estado Novo para o regime democrático "não foi uma transição fácil, foi uma transição muito arriscada entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro", e defendeu que a história sobre essa efeméride não é hoje contada pelos seus vencedores, mas "fundamentalmente pelos vencidos".

Militante do PCP aquando do 25 de Novembro de 1975, Zita Seabra recordou que, na altura, "houve uma luta intensa entre aqueles que queriam facilitar a democracia -- portanto, queriam eleições, queriam a Constituição -- e aqueles que não queriam, queriam passar para a 'fase seguinte'", referindo-se neste aspeto ao então secretário-geral comunista, Álvaro Cunhal.

Segundo Zita Seabra, a construção em Portugal de uma "democracia plena" "Deve-se a militares obviamente, mas, por detrás deles, estava a força do PS, a coragem do doutor Mário Soares de enfrentar a rua (...) e a sua aliança com o doutor Sá Carneiro".

Em divergência com Sérgio Sousa Pinto e com Zita Seabra, o politólogo Adelino Maltez defendeu que o 25 de Novembro de 1975 decorreu numa época de "grande modificação geopolítica, e quem mandava em Portugal não era o doutor Mário Soares, o general Eanes, ou o doutor Álvaro Cunhal, quem mandava em Portugal era a CIA e o KGB".

"Nós fomos para o 25 de Novembro sem perceber que já tinha havido um acordo do senhor [secretário de Estado norte-americano Henry] Kissinger com o senhor [líder da União Soviética, Leonid] Brejnev para resolver o problema de Angola", sustentou, antes de acrescentar que tanto Mário Soares como o MRPP foram "uma criação da CIA".

Apesar disso, Adelino Maltez considerou o 25 de Novembro de 1975 "um êxito".

"Portanto, os tipos que comandaram isto, que são plurais, fizeram melhor do que aquilo que eu sugeriria nesse dia", disse.

Por sua vez, o advogado Nuno Gonçalo Poças considerou que o 25 de Novembro de 1975 foi uma "aceitação de uma democracia com um plano um bocadinho inclinado, e que depois se acabou por desinclinar através de vários momentos, que foram também eles muito importantes", como a revisão constitucional de 1982 e de 1989.

Gonçalo Poças saudou o facto de, nesses momentos, o PS, PSD e CDS terem tido a capacidade de, "com maior, ou menor facilidade", se entenderem "para aprofundar a democracia".

Leia Também: OE. PS desce aprovação de propostas da oposição em dia de muitos chumbos

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