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Alcântara acordou sem chuva, mas com vestígios da passagem de tornado

A freguesia lisboeta de Alcântara acordou hoje com sol, mas com vestígios da passagem de um tornado e da chuva que, na terça-feira, causaram inundações, quedas de árvores e danos em viaturas, prejuízos ainda em avaliação.

Alcântara acordou sem chuva, mas com vestígios da passagem de tornado
Notícias ao Minuto

14:09 - 09/11/22 por Lusa

País Mau tempo

Alcântara, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), foi afetada por "um tornado de fraca intensidade", que causou danos no Jardim de Santo Amaro, em vários ruas e numa escola, cujo telhado voou.

Na maioria das ruas notava-se esta manhã a "normalidade" depois da passagem do pequeno tornado e da chuva forte. Contudo, em locais como o Alto de Santo Amaro e a Avenida de Ceuta avaliavam-se os danos e os prejuízos em jardins, ruas e estruturas.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, Davide Amado (PS), que visitou hoje de manhã os locais afetados pelo mau tempo para fazer um levantamento dos danos, disse que ainda não é possível avançar qual o valor em causa.

"Neste momento, estamos a fazer a limpeza dos locais afetados ontem [terça-feira]. Durante o dia, vamos continuar a visitar os locais afetados para termos uma noção do valor dos prejuízos de todas as ocorrências", disse Davide Amado à Lusa, durante uma visita à Escola Básica Raul Lino, cujo telhado "voou" durante a tarde de terça-feira.

Algumas das janelas da escola ficaram partidas, impossibilitando os alunos de terem aulas.

"A direção da escola aguarda que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) chegue com um empreiteiro para fazer a avaliação da cobertura para podermos ter ideia de quando esta parte da escola pode reabrir", disse.

No entanto, Davide Amado afirmou que entre os sítios mais afetados o que mais se destacou foi o Jardim de Santo Amaro.

"Aquilo que foi mais impressionante foi a devastação no Jardim de Santo Amaro. Em 30 segundos tivemos árvores centenárias a ser arrancadas pela raiz. Felizmente, não houve danos além dos materiais. Estamos a proceder à limpeza, avaliar o que é preciso fazer e começar a fazer", realçou.

Davide Amado disse que vai decorrer uma reunião hoje à tarde com a estrutura verde da Câmara e técnicos do Instituto de Agronomia para ver o que pode ser feito para reabilitar o jardim, "muito querido por toda a gente".

O presidente da Junta de Freguesia de Alcântara disse que as inundações que resultaram da chuva e do tornado já não aconteciam há cinco anos naquela zona.

"Mas claro, com a existência da praia mar em simultâneo com o volume de precipitação tão elevado num tão curto espaço de tempo como o de ontem, a probabilidade de isto acontecer naquela zona é elevada", sublinhou.

Davide Amado disse ainda que a zona da Rua de Alcântara e o Largo do Calvário não foram muito afetados como costumavam ser devido às obras que ocorreram nos últimos anos, com a alteração para coletores maiores com maior capacidade de escoamento.

Outro dos locais mais afetados pelo tornado em Alcântara foi o armazém número 2 do Banco Alimentar Contra a Fome, na Avenida de Ceuta, cujo telhado foi arrancado e caiu na linha férrea.

Em declarações à Lusa hoje de manhã, a presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, disse que o tornado arrancou quase a totalidade do telhado do armazém.

"O Banco tem três armazéns. Basicamente este que agora a cobertura foi arrancada pelo tornado de ontem é o armazém onde entregamos os cabazes diariamente às instituições que se vêm abastecer. Todos os dias, em Lisboa, temos 80 instituições e distribuímos 40 toneladas de produtos. Ontem, às 14:10 houve este tornado que nos levou a quase totalidade da cobertura. Em dois minutos ficou este cenário de devastação incrível, mas não podemos parar, vamos continuar a trabalhar com mais dificuldades, mas concentrando tudo num só armazém", disse, destacando que ninguém ficou ferido.

Isabel Jonet contou que na terça-feira a quase totalidade dos cabazes da manhã foi entregue e os da tarde ainda não tinham ido para o armazém afetado.

"Não há quase registo de perdas de alimentos, uma vez que isto é um armazém de entrega de cabazes. Não podemos entregar neste armazém. Chamámos a Proteção civil e a Infraestruturas de Portugal, que acorreram de imediato e ajudaram a remover os destroços porque o telhado abateu para dentro", referiu.

A presidente do Banco Alimentar disse ainda que agora é o momento de perceber como se pode reconstruir, porque vai decorrer nos dias 26 e 27 de novembro a campanha de recolha e aquele armazém vai ser necessário para acolher voluntários.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a zona de Alcântara foi afetada por "um tornado de fraca intensidade".

Patrícia Marques, meteorologista de serviço, explicou à Lusa na terça-feira ter-se tratado de "uma supercélula, que passou com bastante atividade e fez um movimento rotacional que terá resultado na imagem semelhante a um funil".

O "fenómeno de vento extremo" foi detetado pelos dados de radar do IPMA e teve "curta duração no tempo".

A Proteção Civil de Lisboa registou, entre as 12:00 e as 22:00 de terça-feira, 229 ocorrências relacionadas com o mau tempo, maioritariamente inundações e quedas de árvores, continuando hoje os trabalhos de remoção dos destroços.

Entre as ocorrências registadas estão 82 inundações, 51 em espaço privado e 31 em espaço público, e 27 quedas de árvores, que afetaram, principalmente, as freguesias de Alcântara, com 33 situações, Alvalade (30), Estrela (28) e Avenidas Novas (28).

Leia Também: Mau tempo. Proteção Civil de Lisboa registou 229 ocorrências na 3.ª feira

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