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Pedem "respeito". Centenas de professores concentrados em frente à AR

Mais de 400 docentes estão hoje concentrados em frente à Assembleia da República num plenário da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) para exigir respeito pela profissão, que esperam receber já no próximo Orçamento do Estado.

Pedem "respeito". Centenas de professores concentrados em frente à AR

Sob o sol das 15h30, hora a que começou o plenário, os últimos degraus da escadaria do parlamento e as várias cadeiras colocadas na praça em frente estavam já ocupadas por mais de 400 professores que empunhavam cartazes com a mesma palavra repetida em todos: Respeito. 

"Hoje, estamos aqui para exigir esse respeito, não apenas no discurso, por aí até parece estar presente, mas sobretudo nas medidas e nas políticas dos governos", disse à Lusa o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira. 

Na véspera do Dia Nacional do Professor, que a Fenprof começa a celebrar um dia antes, o plenário realiza-se também a poucos dias de o Governo entregar, na segunda-feira, a proposta de Orçamento do Estado para 2023 (OE2023). 

"Tivemos um Orçamento do Estado que parecia feito para um país onde não há professores", disse o dirigente sindical em relação ao Orçamento para 2022, em que diz terem faltado medidas para a valorização salarial, da carreira docente, em termos de aposentação, do rejuvenescimento da profissão ou horários de trabalho. 

"Com certeza que, se o OE2023 continuar a esquecer os professores, não vamos fazer uma nova concentração apenas e podemos ter de partir para formas de luta bem mais elevadas", voltou a avisar Mário Nogueira, precisando que a resposta poderá passar por greves ou manifestações nacionais. 

Mário Nogueira recordou também algumas das conclusões do relatório "Education at a Glance 2022", da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgado na segunda-feira e segundo o qual Portugal gasta menos por aluno do que a média da OCDE e os salários dos professores portugueses aumentaram apenas metade da média. 

"Todas as organizações internacionais dizem que é preciso investir na educação e nos educadores", afirmou, lamentando que, apesar de Portugal participar em muitas dessas iniciativas e subscrever essas declarações, "quando chega a aprovar as medidas, isso não acontece". 

Por outro lado, considerou também que os aumentos salariais previstos para os trabalhadores da administração pública, de acordo com a proposta do Governo apresentada na segunda-feira aos sindicatos da Função Pública são insuficientes e, considerando a taxa de inflação, resultam numa "desvalorização muito grande da profissão" docente. 

Para Mário Nogueira são questões que mostram desrespeito pelos professores com um resultado tangível no dia-a-dia das escolas: a falta de professores. 

Quase um mês após o início do ano letivo, a Fenprof estima que continuem a faltar nas escolas professores para mais de 60 mil alunos que estão sem aulas a, pelo menos, uma disciplina. "Eventualmente, este número pode chegar aos 100 mil", admitiu. 

O problema, argumenta o secretário-geral da Fenprof, não se resolve com "medidas avulsas" que apenas o disfarçam, mas com a discussão de medidas para toda a legislatura que a Fenprof definiu numa proposta negocial que apresentou ao Ministério da Educação. 

"Esse protocolo deveria ter tido uma primeira reunião antes do OE2023 (...), mas o ministro foi sempre empurrando. Agora, só depois do OE2023, quando as coisas já estão um bocado fechadas e já é difícil mexer-lhes", lamentou Mário Nogueira. 

Todos estes temas estiveram em destaque durante o plenário, que contou também com momentos musicais e a participação da Confederação Nacional das Associações de Pais e de representantes de estudantes, tendo estado também presentes as deputadas Paula Santos, do PCP, e Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda.

Na quarta-feira, para assinalar o Dia Mundial do Professor, a Fenprof vai participar no 'webinar' promovido pela Internacional de Educação, sob o mote "A transformação da Educação começa com os/as Professores/as".

[Notícia atualizada às 18h02]

Leia Também: A escola "não está a servir bem" os alunos e os professores, diz a IL

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