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Novo aeroporto em Santarém? Sugestão por "divertimento político"

Para Francisco Louçã, o consenso entre o executivo e o líder do PSD, anunciado esta sexta-feira, não passa de "uma espécie de floreado".

Novo aeroporto em Santarém? Sugestão por "divertimento político"

O antigo dirigente do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, reagiu, esta sexta-feira, à “convergência” alcançada pelo primeiro-ministro, António Costa, e pelo líder do PSD, Luís Montenegro, quanto às metodologias a serem aplicadas no processo de Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) para a localização do futuro aeroporto de Lisboa. A seu ver, incluir Santarém na equação não é mais do que “passar uma rasteira às pessoas”, naquele que parece ser um plano que cria “resignação sobre as dificuldades de decisão” nesta matéria.

O economista explicou, no seu espaço de comentário na SIC Notícias, que o anúncio de um consenso “é, em alguma medida, como se a montanha parisse um rato”, uma vez que “são decisões que vão oscilando ao longo do tempo, e que voltam sempre ao ponto de partida”.

“Esta ideia muito romântica de que os técnicos lhe vão por todos os dados definitivos e, depois, ‘vamos decidir, agora, daqui a um ano’… Já ouvi isto muitas vezes ao longo do tempo”, atirou, referindo-se às declarações de Montenegro, que apontou haver condições para que, dentro de um ano, o executivo possa tomar uma decisão final.

Louçã recordou, por isso, que “já houve bons pareceres técnicos, já foram estudadas muitas localizações diferentes”, lançando que “o Governo, ao fazer este acordo com o PSD, quis empatar, apresentar soluções que não são bem soluções”. Para ilustrar a sua ideia, o bloquista apontou que “estamos sempre com obras” no aeroporto Humberto Delgado, mas que, no anúncio hoje realizado, essa era uma das medidas a cumprir.

“Tudo isto cria uma espécie de resignação sobre as dificuldades de decisão neste contexto. Talvez acabe por vir a vencer a decisão tão mal afamada de Pedro Nuno Santos; um Montijo provisório e, depois, acabará por haver Alcochete”, disse o economista, referindo-se à polémica em que o ministro das Infraestruturas e da Habitação se viu mergulhado, em junho, com a publicação do seu plano para uma 'Ampliação da Capacidade Aeroportuária da Região de Lisboa', desautorizada no dia seguinte pelo primeiro-ministro.

Esta solução previa a criação imediata de um aeroporto complementar no Montijo, até 2026, para, depois, se dar início aos trabalhos de um novo aeroporto em Alcochete, com capacidade de substituir integralmente o aeroporto Humberto Delgado, em 2035.

Louçã salientou, contudo, que “qualquer que seja a decisão, ela depende de um contrato, que é o contrato que, em 2012, no Governo PSD-CDS, foi assinado com a Vinci, e que permite uma decisão absoluta sobre os ritmos e as formas dos próximos investimentos, ou transitam completamente para o Governo”.

“O concessionário já sugeriu; ‘nós podemos, talvez, pagar alguma coisa das novas obras, se nos derem mais 25 anos’, vamos até quase 2090 o que é, evidentemente, uma enorme vantagem. Entregar um aeroporto a uma empresa destas tem pouco sentido, [e] fazê-lo por um século tem muito menos sentido ainda

Nessa linha, o bloquista considerou que teria sido “muito mais barato construir o novo aeroporto e resolver o problema de Lisboa, que tem de ter um novo aeroporto, pagando nos últimos 10 anos com dívida pública, cuja emissão a 10 anos era quase gratuita e, às vezes, até com juros negativos”, mas “não foi feito”.

Na verdade, na ótica do economista, “há uma espécie de floreado” nas decisões hoje anunciadas, considerando que “colocar Santarém nesta discussão é para passar uma rasteira às pessoas”.

Foram colocadas sugestões por divertimento político. Santarém [tem] terrenos que estão numa zona de proteção ecológica; não vão ser desclassificados, não faria nenhum sentido. [Quanto ao] aeroporto de Tires, não sei bem se tem muitas condições, ou se os jatos privados vão querer estar lá. Agora, o facto é que tem de haver uma decisão, um estudo de impacto ambiental, mas [que] o objetivo desse estudo permita uma renegociação de um contrato que é desastroso para Portugal”, esclareceu.

Assim, para Louçã, a proposta terá de contemplar um “aeroporto que não esteja no centro da cidade, mas que seja sustentável”. “Parece óbvio que há uma corrida para ir pensando que se pode sempre aumentar a capacidade aeroportuária. Podemos ter tantos milhões de passageiros, que vão ser incomportáveis num contexto de uma política climática, que vai ser determinante ao longo do século XXI”, apontou.

O comentador defendeu, por isso, que preferia “ter a certeza de que havia um estudo de impacto ambiental que pensava qual é o limite que tem de ter esse aeroporto, e a sua melhor localização, em função da imposição de um limite ambientalmente sustentável. Mas, disso, ainda estamos longe”, rematou.

Leia Também: Aeroporto? "Foi possível obter convergência" com PSD (e Santarém é opção)

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