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"Ou realidade é feita de justiça, ou liberdade e democracia recua"

O chefe de Estado assinala a primeira Constituição Portuguesa, de 1922

"Ou realidade é feita de justiça, ou liberdade e democracia recua"
Notícias ao Minuto

11:23 - 23/09/22 por Notícias ao Minuto

País Constituição

Presidente da República discursou, esta sexta-feira, na Assembleia da República em Lisboa, onde assinalou o aparecimento da primeira Constituição Portuguesa, em 1882.

"O essencial é, porém, interrogarmos como foi possível que as promessas de 1822, circunscritas que fossem - por exemplo, no sufrágio limitado, na visão colonial, na total incompreensão do futuro imediato do Brasil - sofressem tanto, e por tanto tempo. E a liberdade anunciada e hoje celebrada com elas sofressem durante mais de 150 anos",  afirmou perante os deputados, considerando que a resposta "parece simples".

"É impossível construir a liberdade sem quem a defenda", respondeu, sublinhando a importância dos liberais numa primeira fase, e dos democratas depois. 

"É extremamente difícil construir a liberdade com oposição militante de amplíssimos setores sociais ou de restritos setores, mas dotados de efetivo poder político. Foi assim largamente numa parte da vida da monarquia constitucional. Como o legitimismo absolutista maioritário no país rural a como que passar à clandestinidade, nunca deixando de contestar o constitucionalismo que se queria liberal", referiu, acrescentando: "Continuaria a ser assim com os herdeiros desse legitismo monárquico: no Franquismo, no Pimentismo, no Sidonismo, no Salazarismo".

Referindo-se à Constituição de 1976, o Presidente questionou se esses "herdeiros" não terão desaparecido "nos quase 50 anos de vigência".

"Boa parte foi-se circunscrevendo, com o cair dos anos, ficando sempre a nostalgia do passado", considerou, alertando para que era uma "ilusão pensar-se que não podem surgir novos tropismos antiliberais ou antidemocráticos".

Entre outras coisas, Marcelo considerou que as injustiças, pobrezas e desigualdades, "alimentam saudosismos, mas sobretudo alimentam apelos de caminhos os mais diversos em que liberdade e democracia podem vir a valer menos do que temor, securitarismo, autoritarismo". 

O governante foi aplaudido por todos os presentes, ação que o fez demorar-se na continuidade das declarações. "A liberdade, tal como a democracia, ou é construída todos os dias ou é enfraquecida todos os dias", apontou, referindo que não são apenas apenas as palavras que constroem a liberdade. "Palavras leva-as o vento", expressou-se.

"Ou a realidade do dia a dia das pessoas, dos cidadãos, é feita de passos de progresso e de justiça - mesmo se com altos e baixos, em especial em tempos de pandemias, de guerras e de crises económicas -, ou liberdade e democracia não avançam, recuam", rematou.

[Notícia atualiza às 11h55]

Leia Também: Chega pede que Marcelo intervenha junto do Governo sobre aeroporto

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