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Governo. "O SIRESP enquanto sistema não falhou em 2022"

A secretária de Estado da Proteção Civil afirmou hoje que a rede SIRESP "não falhou" nos incêndios deste ano, tendo apenas existido "ligeiros picos de atraso na ordem dos segundos" nos fogos da Serra da Estrela, Leiria e Santarém.

Governo. "O SIRESP enquanto sistema não falhou em 2022"

"O SIRESP enquanto sistema não falhou em 2022", declarou Patrícia Gaspar, no plenário, durante uma interpelação ao Governo requerida pela Chega intitulada "as sucessivas falhas no combate aos incêndios".

As falhas do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) durante o combate aos incêndios deste ano foram levantadas por todos os partidos políticos.

O deputado da Iniciativa Liberal Rui Rocha considerou que a história do SIRESP é "uma longa história de omissões, de tragédias na sua gestão, de confusão", dando como exemplo o episódio ocorrido em agosto, "em que foram chamados os órgãos de comunicação social para testemunhar o bom funcionamento do SIRESP e o SIRESP não funcionou".

"Isto é o fim da linha da credibilidade de um sistema que devia ser fundamental na gestão das emergências em Portugal", vincou Rui Rocha.

O PCP, pela voz da deputada Alma Rivera, também considerou que "a pergunta para um milhão de euros é quando é que o SIRESP deixa de ser notícia".

"O Governo passa a vida a garantir que ele funciona, que ele é uma maravilha, mas a realidade insiste em desmenti-lo. Arranjam-se culpados, agora o senhor ministro até já disse que são os bombeiros que não sabem mexer no SIRESP, mas o Governo é que é responsável por garantir o funcionamento e não pode estar sempre a responsabilizar-se e a estar a atribuir culpas a outros", disse.

Já o deputado do PSD João Moura pediu explicações a Patrícia Gaspar por ter culpado "os bombeiros voluntários relativamente à utilização de rádios SIRESP".

Em resposta, a secretária de Estado afirmou que em 2017 foram detetadas "falhas sérias no sistema de comunicações", tendo o Governo encetado "um processo de amadurecimento e modernização do sistema SIRESP", nomeadamente no que diz respeito à implementação de uma rede suplementar satélite, redução do sistema de energia, robustecimento das estações base e aumento das estações móveis.

"Foram precisamente estas medidas tomadas após 2017 que permitiram que em 2022, apesar dos dois momentos de 'stress' que tivemos, designadamente na Serra da Estrela e nos incêndios de Santarém de Leiria, que os momentos de maior congestionamento provocassem ligeiros picos de atraso na ordem dos segundos, mas que nunca puseram em causa o funcionamento do sistema, nem a existência de comunicações seguras", frisou.

A secretária de Estado disse que estes dados constam de um relatório do próprio SIRESP que analisou "ao detalhe" estas ocorrências.

O Chega e o Bloco de Esquerda questionaram também Patrícia Gaspar sobre as declarações que fez em agosto, quando afirmou que, face à "severidade meteorológica", os "algoritmos e dados dizem que a área ardida" deveria "ser 30% superior".

O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, criticou as declarações da governante, afirmando que tiveram "o condão de acirrar, em particular, a direita com esta frase".

"Não é expectável que alguém possa genuinamente pensar que alguém que dedicou 22 anos da sua vida profissional à proteção civil, que andou várias horas, vários dias ao lado dos bombeiros, se possa sequer congratular ou regozijar-se com um hectare de área ardida que seja. Isto é apenas uma má interpretação daquilo que foi dito", disse a governante.

A secretária de Estado disse aos deputados que "o poder político não interfere no acionamento dos meios" para os incêndios.

Leia Também: IL pede ao Governo relatórios internos que mostram anomalias do SIRESP

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