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Abusos na Igreja. Episcopado confirma conclusão em dezembro de relatório

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) confirmou hoje que a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja vai concluir o seu relatório em dezembro, "prevendo-se a sua divulgação pública para meados de janeiro de 2023".

Abusos na Igreja. Episcopado confirma conclusão em dezembro de relatório

Em comunicado hoje divulgado, na sequência da reunião do Conselho Permanente da CEP realizada na segunda-feira, é revelado que "com a presença de membros da Comissão Independente e do Grupo de Investigação Histórica sobre os arquivos das dioceses e das congregações religiosas, o Conselho fez o ponto da situação e foi informado em relação ao estado atual do processo de estudo sobre os abusos sexuais de crianças na Igreja Católica".

"A Comissão Independente concluirá o relatório deste estudo em finais de dezembro, prevendo-se a sua divulgação pública para meados de janeiro de 2023", adianta o comunicado.

A CEP decidiu criar, no final de 2021, a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, coordenada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, e que iniciou os trabalhos no início deste ano, tendo já recebido cerca de 400 denúncias, algumas das quais encaminhou para o Ministério Público.

Ainda na reunião do Conselho Permanente de segunda-feira, foi abordado o relatório da Igreja em Portugal sobre o processo sinodal e que foi enviado no início de agosto para o Vaticano, e que aponta que a Igreja Católica é vista como sendo "demasiado hierárquica, clerical, corporativa, pouco transparente, estagnada, resistente à mudança", priorizando a manutenção da imagem, ao invés de preservar a segurança da comunidade, surgindo os casos de pedofilia como "exemplo mais evidente".

Nas conclusões da fase de auscultação dos católicos portugueses realizada nos últimos meses e que integra o documento síntese enviado pela CEP para a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, que culminará no Vaticano em outubro de 2023 é também apontada "uma Igreja pouco disponível para discutir de forma aberta e descomplexada a possibilidade de tornar opcional o celibato dos sacerdotes e a ordenação de homens casados e das mulheres", que não as considera "em igualdade com os homens na missão".

Também o processo de tomada de decisão e escolha de lideranças é considerado "pouco transparente e inclusivo, restringindo a Igreja ao corpo composto pelo sacerdote e os leigos que desempenham uma função nos grupos paroquiais/movimentos eclesiais, geralmente tidos como um corpo demasiado elitista, que ocupa posições quase de modo vitalício e se mostra incapaz de delegar de forma repartida e rotativa as diversas funções".

No comunicado hoje divulgado, o Conselho Permanente da CEP considera que o documento síntese enviado ao Vaticano "não é um tratado sobre a Igreja no seu todo nem um juízo sobre a Igreja em Portugal".

"Trata-se de um resumo de quanto surgiu nas etapas diocesanas para continuar o caminho de reflexão e transformação que temos por diante. É uma atitude de bom-senso escutar aquilo que surge do povo de Deus, nesta primeira etapa de participação, nas suas dimensões negativas, positivas e propositivas, para o caminho a fazer nas etapas seguintes. (...) É importante ouvi-los, discerni-los, completá-los ou reformulá-los, mas não descartá-los", adianta o comunicado.

A CEP assegura, ainda, que "os bispos portugueses terão ocasião de refletir sobre este documento e outras achegas que foram chegando, em atitude de discernimento comum, procurando escutar a voz do Espírito e da Igreja em Portugal, tendo como objetivo a transformação pessoal e comunitária de atitudes, instituições e processos".

Na reunião de segunda-feira, o Conselho Permanente abordou também a preparação da próxima Assembleia Plenária da CEP, a realizar em novembro, e cuja agenda será definida em outubro.

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