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Habitantes de Valhelhas dizem que desta vez ardeu toda a freguesia

Em Valhelhas, na Guarda, a última noite foi passada em claro e "foi uma sorte ninguém morrer e as casas estarem praticamente todas intactas", numa freguesia que, "desta vez, ardeu toda", lamentam os habitantes.

Habitantes de Valhelhas dizem que desta vez ardeu toda a freguesia

"Desta vez não escapou nada, ardeu a freguesia toda. Noutros anos havia uns focos de incêndio. Desta vez, ficaram uns focos verdes, ardeu tudo", registou Rui Rocha, que, nos seus "quase 62 anos" de vida, já assistiu a outros "grandes" incêndios.

Em 1981, contou à agência Lusa este habitante de Valhelhas, "ardeu a serra da Cabeça Alta, depois, em 2002, foi a serra Mor e agora, em 2022, foi tudo, foram as três serras à volta da freguesia", já que foi até a serra da Rachada.

"Estes incêndios não são por acaso, são de 20 em 20 anos, quando os pinheiros estão a corte", atirou ao lado Graça Vicente, que, apesar de ser de Valhelhas, reside no distrito de Lisboa há mais de 30 anos, para onde regressa na quarta-feira.

Graça Vicente disse à agência Lusa que "foi uma noite horrível", de segunda para terça-feira, com o incêndio a chegar à povoação a meio da tarde. Teve de "pegar no marido, que só tem um pulmão e dorme com ventilador, e ir procurar um hotel para dormir".

"Saímos todos de casa e fomos embora. Eu e a minha irmã ficámos com os últimos dois quartos deste hotel perto de Belmonte. O meu sobrinho foi para a Covilhã e os meus cunhados ficaram em Belmonte, onde havia quartos", contou.

Hoje, no regresso a casa, perceberam que esta "ficou intacta, mas ardeu tudo à volta". Nas casas ao lado, algumas tinham os primeiros vidros, das janelas com caixilho duplo, rebentados.

"Aquilo foi com o calor, rebentou tudo, porque as sebes à volta das casas estavam ardidas", acrescentou Graça Vicente, que contou à Lusa que a sua habitação "até fica junto a uma pequena ribeira".

Estela Rocha não escondeu as lágrimas do rescaldo da noite e contou que "um tio ficou sem a casa".

"Era de férias, mas era a casinha dele, onde tinha as memórias da esposa e perdeu tudo, assim como o trator, que também se foi" com o fogo, lamentou.

"Acho que foi a única casa que ardeu por aqui. Houve muita aflição, porque o incêndio entrou na povoação, mas depois as casas acabaram por não arder. Foi uma sorte não ter morrido ninguém", atirou Estela Rocha.

O marido, Rui Rocha, acrescentou que "foi graças ao vento que levantou o fumo e como ele subiu muito acabou por não chegar às pessoas e não intoxicou ninguém, apesar de uma ou outra pessoa ter passado mal, mas foi com a aflição e os nervos".

Em Valhelhas, os habitantes contam que o "incêndio reacendeu em Vale da Moreira, por causa de um homem que estava a fazer churrasco" e, por Belmonte, nas esplanadas, os habitantes contam que "onde se deu o reacendimento havia uma antiga reserva de carvão".

Valhelas é uma das freguesias do concelho da Guarda e Belmonte é sede de concelho do distrito de Castelo Branco, mas estão separadas por uns 15 quilómetros.

"É mesmo ao lado, apesar de já nem ser distrito da Guarda", afirmou um dos populares.

"O incêndio veio de Vale da Moreira, que é do concelho de Manteigas [Guarda] e entrou-nos por aqui a dentro até Famalicão e Gonçalo, que são freguesias da Guarda. E foi até Vale Formoso e Aldeia Soito, que são do concelho da Covilhã. Varreu tudo", sublinhou Rui Rocha.

Hoje, 24 horas depois, os habitantes ainda vivem a "angústia de ter as chamas por perto e de não conseguirem falar com os familiares", porque apesar de já quase toda a gente ter energia, ainda não há comunicações.

"E a família vive preocupada, claro", acrescentou.

O incêndio na serra da Estrela reativou na segunda-feira, depois de ter sido dado como dominado no sábado e de lavrar desde a madrugada do dia 06, com início em Garrocho, no concelho da Covilhã, distrito de Castelo Branco.

As chamas estenderam-se depois ao distrito da Guarda, nos municípios de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira.

Às 19:00 de hoje, segundo a página da internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, este fogo mobilizava 1293 operacionais, apoiados por 400 viaturas e 15 meios aéreos.

Leia Também: Incêndio na Serra da Estrela ameaça casas e obriga a evacuação em Orjais

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