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"Incancelável". Fundador garante que "Prozis não precisa de Portugal"

Perante a chuva de críticas, o fundador da Prozis recorreu ao podcast interno da marca, 'Conversas do Karalho', para esclarecer a sua posição quanto à anulação do direito ao aborto nos Estados Unidos. "Podem todos deixar de comprar na Prozis", atirou.

"Incancelável". Fundador garante que "Prozis não precisa de Portugal"

Miguel Milhão, fundador da Prozis, tornou-se o assunto do momento em Portugal, após expressar o seu apoio perante a anulação do direito ao aborto nos Estados Unidos. "Parece que os bebés por nascer recuperaram os seus direitos nos EUA! A natureza está a recuperar!", escreveu o empresário, numa publicação no Linkedin, entretanto eliminada. Perante a chuva de críticas, Milhão recorreu ao podcast interno da marca, ‘Conversas do Karalho’, para esclarecer a sua posição, na terça-feira.

Durante cerca de 43 minutos, o empresário lançou que “a Prozis não precisa de Portugal”, considerando-se “incancelável” e com “recursos ilimitados”. Apelidou, além disso, quem criticou o seu ponto de vista de “pulhecos de m*rda”, naquilo que disse tratar-se de “uma hipocrisia”. Mas foi mais longe.

“Não gosto desta ‘mob’, destes filhos da p*ta. Podem todos deixar de comprar na Prozis”, atirou.

“Não vamos ser manipulados por esta ‘mob’. As minhas ideias são as minhas ideias, não são as da Prozis. A Prozis não tem ideias - é uma empresa que vive para produzir bens e serviços, que tem como objetivo produzir lucro. É uma empresa privada, que tem acionistas, trabalhadores, parceiros, vários tipos de ‘stakeholders’, e todos eles têm opiniões diferentes”, complementou, observando que “isto não é a Coreia do Norte”.

Residente nos Estados Unidos, Milhão rejeitou aquilo que apelidou como “ditadura das ideias” que, a seu ver, “é o princípio do fim das civilizações”.

Assumiu, nessa linha, que “preferia comer terra do que mudar de ideias”, esclarecendo que, no que diz respeito à polémica publicação, não estava “a falar das mulheres”, mas sim dos “bebés”, que “estão a ganhar direitos”.

"Se eu matar um idoso, o que é que lhe roubei? As experiências que ele ia ter até morrer de morte natural. E roubaria às outras pessoas a sua presença e a sua energia. Mas se matasse um jovem adulto, roubava muito mais experiências. Se eu matasse uma criança, roubar-lhe-ia aquilo tudo. E se matares o feto, matas tudo. Se roubares o embrião, matas isso tudo", indicou, apelando a que os comentários negativos de que foi alvo sejam criminalizados.

Em situações como a violação, Milhão mostrou-se inamovível, revelando já ter discutido o assunto com a mulher, mas que não se lembra daquilo “que ela disse”.

“Se eu tivesse uma filha que tivesse sido violada, ou que a minha mulher tivesse sido violada, eu tentaria falar com ela e cuidava dessa criança. Não consigo sacrificar um inocente pelos crimes de um criminoso. Não consigo fazer essa cena", raciocinou.

Na verdade, o empresário confessou ter sido “um candidato fixe para o aborto”, uma vez que nasceu “cego do olho esquerdo”, e a sua mãe “era nova, tinha 19 anos, solteira”.

“Mas ela pensou diferente - na altura mandaram-na fazer e ela não fez, e aqui estou. Sei que estou a fazer um bom trabalho e não é por estar a salvar o mundo, é porque sei que ao meu redor as pessoas estão mais felizes. Isso é que é uma vida útil de serviço”, considerou.

Ainda assim, aquilo que mais o impressionou foi “não haver ninguém que defenda os Estados Unidos”.

“É um império, é o país mais potente do planeta, o 'pessoal' não tem noção. Se os Estados Unidos entrassem em guerra com o planeta, ganhavam. E não há nada de bom nos Estados Unidos?", questionou.

Recorde-se que o fundador da Prozis se defendeu das críticas junto do Notícias ao Minuto, apontando que a “maior parte dos comentários negativos” visam “silenciar” a sua opinião.

“Não me parece nem justo nem democrático”, apontou, acrescentando gostar “de ver os direitos das crianças que ainda não nasceram a serem tidos em conta”.

Face às críticas, a marca desativou a possibilidade de deixar comentários nas suas publicações do Instagram.

Miguel Milhão fundou aquela que é uma das maiores empresas de nutrição desportiva da Europa em 2006, quando tinha apenas 23 anos. Agora, são várias as manifestações de repúdio para com a marca e os seus produtos.

Leia Também: Duras críticas e fim de colaborações. Famosos contra fundador da Prozis

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