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Marcelo avisa jovens para não confiarem nos decisores e lutarem por si

O Presidente da República avisou hoje os jovens para não confiarem nos decisores e lutarem por si contra as alterações climáticos e pelos oceanos, embora admitindo que há exceções e deixando elogios ao secretário-geral das Nações Unidas.

Marcelo avisa jovens para não confiarem nos decisores e lutarem por si
Notícias ao Minuto

14:49 - 26/06/22 por Lusa

País Oceanos

Marcelo Rebelo de Sousa discursava na sessão de encerramento do Fórum da Juventude e Inovação da Conferência dos Oceanos da ONU 2022 (UNOC - United Nations Ocean Conference), que decorre na praia do Carcavelos (concelho de Cascais), e na qual participa também António Guterres.

"Têm de lutar por vocês, não confiem nos decisores, há exceções, há alguns serão sempre os vossos maiores aliados, mas não a maioria", disse, apontando o secretário-geral das Nações Unidas como uma das vozes "muito vocal e muito forte" neste campo.

O Presidente da República deixou, por isso, um conselho aos cerca de 150 jovens de 30 países que participaram neste Fórum: "A única forma de ser mais forte é lutar por isso e não acreditar que alguém lute por vocês".

No final da sua curta intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa deixou ainda um convite, frisando que costuma nadar em praias como a de Carcavelos duas ou três vezes por semana.

"Enquanto o secretário-geral da ONU dá entrevistas, convido-os a ir ao banho comigo", desafiou.

O Presidente da República começou por saudar precisamente António Guterres -- seu amigo desde a juventude -, de quem disse que "é sempre extraordinário".

"Obrigada pelo seu empenhamento, pela sua ideia, pelo seu sonho. É o maior", elogiou.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou "muito promissor" anteceder a Conferência dos Oceanos deste Fórum da Inovação, alertando que serão os jovens a ter um papel essencial nesta luta.

"Ou ganham vocês ou perdemos todos, porque são mais e melhor futuro do que nós", avisou.

O chefe de Estado português saudou a presença de jovens de tantos países, muitos deles com "desigualdades e discriminações".

"Lutar pelas alterações climáticas e pelos e oceanos é lutar contra desigualdades", defendeu, considerando que este combate permite "construir pontes económicas, sociais e políticas" entre várias gerações.

Também presente nesta sessão de encerramento, a ministra da Energia do Quénia, Monica Juma - país que coorganiza Conferência dos Oceanos com Portugal -- salientou que, no Quénia, são sobretudo as novas gerações que lutam pelo desenvolvimento sustentável.

"Através dos vossos olhos, conseguimos olhar para o ambiente de forma diferente, não podemos continuar a viver como se os efeitos sobre o ambiente não existissem", salientou.

Monica Juma desafiou os participantes neste Fórum a transmitir a "pelo menos cinco pessoas o que aprenderam", e apelou a que mantenham a persistência, perante "um mundo de negação das alterações climáticas".

O ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva, e o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, foram outros dos presentes nesta iniciativa, que acontece na véspera do arranque oficial da Conferência dos Oceanos.

A Conferência dos Oceanos das Nações Unidas (UNOC, sigla em inglês) vai realizar-se este ano em Lisboa (no Altice Arena), copresidida por Portugal e pelo Quénia, entre segunda e sexta-feira, e contará com a presença de chefes de Estado e de governo de todos os continentes.

São esperados mais de 7.000 participantes de mais 140 países, 38 agências especializadas e organizações internacionais, mais de mil organizações não governamentais, 410 empresas e 154 universidades.

Leia Também: "Estamos aqui para dizer que levamos os oceanos e o clima a sério"

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