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"Retomei a minha subvenção vitalícia que me permite custear as despesas"

Sócrates acusa a justiça portuguesa de abuso por exigir informações sobre as viagens que tem feito ao Brasil desde abril do ano passado.

"Retomei a minha subvenção vitalícia que me permite custear as despesas"

Com certeza que sou eu que custeio todas estas viagens. Eu tenho trabalhado, nestes últimos tempos, para algumas empresas mas também retomei a minha subvenção vitalícia que me tem permitido custear todas estas despesas”, disse José Sócrates hoje, numa entrevista concedida à SIC.

Desde junho de 2016 que Sócrates recebia da Caixa Geral de Aposentações (CGA) uma subvenção de 2.372 euros brutos. O antigo primeiro-ministro deixou de receber a subvenção mensal vitalícia, como ex-deputado, porque esteve a trabalhar no setor privado. As duas situações - trabalhar e receber subvenção - são incompatíveis. 

Agora, segundo o próprio, voltou a receber este valor. "Interrompi a minha atividade profissional", diz. 

O nome do ex-primeiro ministro voltou a ser notícia depois de se saber que tem viajado com regularidade para São Paulo, no Brasil, apesar de estar com termo de identidade e residência pelo processo principal da Operação Marquês. 

Recém-chegado do Brasil, onde estuda e se desloca regularmente, diz que não tem problemas em responder às questões do tribunal "se estas fossem feitas com bons modos". O antigo primeiro ministro assevera que "não quer a vida privada nos jornais", e é por isso que não prestou informações sobre as viagens ao Tribunal. 

"[A juíza] não pode ir perguntar à polícia onde eu andei, é uma violência que se soma a tantas outras destes oito anos", refere José Sócrates. 

Sócrates considera que o Termo de Identidade e Residência "não existe", pelo que não tinha obrigatoriedade alguma em comunicar as viagens feitas ao Brasil, onde, diz, foi "cumprir obrigações académicas".

O ex-primeiro-ministro reitera ainda que não receia agravamento das medidas de coação - tendo em conta o processo João Rendeiro. "Eu nada temo. Eu não temo as tempestades nem gosto de rastejar", afirma. 

Ser conselheiro de Lula é "maluquice"

Sócrates diz que viagens são justificadas com o doutoramento que diz estar a tirar na PUC de São Paulo, mas também com a quantidade de amigos que tem naquela cidade brasileira. 

Sobre essas relações, o antigo governante desmente cargos políticos no Brasil - como conselheiro ou pessoa próxima de Lula da Silva, e diz que são "meras maluquices"

Sócrates aproveitou ainda a entrevista para acusar a relação de Lisboa de ilegalidades em sorteio, uma situação que considera "escandalosa". A defesa de Sócrates já tinha vindo a público afirmar que a "ausência de sorteio eletrónico e aleatório" da juíza representa "motivo sério e grave adequado a gerar desconfiança sobre a sua imparcialidade".

No início do mês, o ex-primeiro-ministro pediu a nulidade da distribuição no Tribunal da Relação de Lisboa do recurso relativo à decisão instrutória do juiz Ivo Rosa no processo Operação Marquês, alegando não ter havido sorteio eletrónico de juiz.

Questionado de estar a atrasar deliberadamente o processo ao ter pedido a nulidade da distribuição no Tribunal da Relação de Lisboa do recurso relativo à decisão instrutória do juiz Ivo Rosa no processo Operação Marquês, mostra-se indignado. 

"Eu estou inocente de todas as acusações que me foram feitas. Esta ideia de que estou a atrasar o processo é ir um pouco longe demais no cinismo e na hipocrisia. Quem atrasou foi o estado", reiterou. 

José Sócrates foi acusado no processo Operação Marquês pelo MP, em 2017, de 31 crimes, designadamente corrupção passiva, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal, mas na decisão instrutória, em 9 de abril de 2021, o juiz Ivo Rosa decidiu ilibar José Sócrates de 25 dos 31 crimes, pronunciando-o para julgamento por três crimes de branqueamento de capitais e três de falsificação de documentos.

Leia Também: Sócrates diz que viaja ao Brasil para estudar e que paga tudo sozinho

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