As comemorações do Dia de Portugal começaram esta quinta-feira, em Braga, com o içar da bandeira e com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa. Em declarações aos jornalistas, o Presidente da República asseverou que "todos nós perdemos com a guerra", acrescentando não perceber como é possível pensar "que é possível haver uma guerra que toca a todo o mundo e ninguém perder".
"Com a guerra há uma coisa segura: perdem todos. Mesmo os que vierem a vencer a guerra acabam por perder, naquilo que foram os sacrifícios, os mortos, os feridos, os problemas económicos e financeiros", afirmou ainda o Chefe de Estado, acrescentando que "mesmo aqueles que estão longe, como nós, aparentemente pensamos que estamos longe, não estamos, estamos perto".
"Nesse sentido, enquanto durar a guerra, de alguma maneira, por isso é que se quer criar condições para a paz, todos vamos perdendo alguma coisa", terminou, sobre esta questão.
Eutanásia? "Está em aberto o caminho até conhecer a lei"
Depois de já ter vetado a eutanásia, o tema volta hoje à Assembleia da República e Marcelo Rebelo de Sousa, instado pelos jornalistas a comentar, frisou que "já mandou para o Tribunal Constitucional uma vez, vetou outra vez" e, agora, "não conhece a lei, portanto, está em aberto o caminho a decidir até conhecer a lei". "Sei que querem à força que eu diga o que é que admito e eu, à força, digo que vamos esperar pela lei", comentou.
O Parlamento, recorde-se, debate pela terceira vez, a morte medicamente assistida, com projetos de PS, BE, IL e PAN, sete meses após o segundo veto e sem se saber o que fará Marcelo Rebelo de Sousa.
Já relativo ao Dia de Portugal, em Braga, o chefe de Estado manterá um programa intenso até sexta-feira, quando intervirá na cerimónia militar comemorativa do 10 de Junho, em que também irá discursar o constitucionalista Jorge Miranda, que preside à comissão organizadora destas comemorações.
Depois, as celebrações prosseguirão em Londres, no Reino Unido, com a participação do Presidente da República e do primeiro-ministro, António Costa, que voltam a assinalar esta data junto de comunidades emigrantes portuguesas, retomando um modelo que lançaram juntos em 2016, interrompido nos últimos dois anos devido à pandemia de Covid-19.
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