Meteorologia

  • 29 JUNHO 2022
Tempo
23º
MIN 16º MÁX 23º

Ministro quer que se fale das escolas pelos sucessos e por promoverem paz

O ministro da Educação defendeu hoje em Santa Maria da Feira que é tempo de se falar das escolas portuguesas pelos seus sucessos e por promoverem "a educação para a paz", que nunca foi tão relevante como atualmente.

Ministro quer que se fale das escolas pelos sucessos e por promoverem paz

João Costa abordou esses temas na abertura do 2.º Encontro Nacional de Autonomia e Flexibilidade Curricular, que esta manhã reuniu no centro de congressos Europarque, no referido concelho do distrito de Aveiro, cerca de 700 pessoas ligadas ao sistema educativo nacional.

"Já chega de pintar um retrato da escola portuguesa que não corresponde à realidade. Parece que andam sempre à procura do que corre mal, ignorando que, todos os dias, nas nossas escolas, há um milhão e 300 mil crianças a aprender e 100 mil professores a ensinar, e que as coisas correm bem", declarou.

Para o governante, a maior evidência desse sucesso expressa-se em resultados quantificáveis: "Temos níveis históricos de abandono escolar precoce, numa redução rápida e sustentada. Temos níveis históricos de sucesso escolar e não fazemos [esse percurso] com o trabalho de menorizar as aprendizagens -- fazemo-lo com este mote (...) de sermos cada vez mais exigentes naquilo que é a qualidade das aprendizagens".

O ministro disse que se acabou "o tempo do currículo toca-e-foge, toma lá hoje, debita amanhã, esquece depois de amanhã", alegando que, na atualidade, as escolas propõem "um currículo muito mais desafiante e ambicioso, em que ensinam não apenas coisas que se aprendem e se sabem, mas também o raciocínio, a resolução de problemas, [a capacidade de] pensar criticamente e de criar".

Foi nesse contexto que João Costa realçou "o papel importante da educação para a paz", tema cuja abordagem, no programa do evento, também estava reservado para a ministra da Defesa. "Vivemos tempos estranhos, tempos de guerra -- uma guerra que voltou à Europa quando pensávamos que isso seria impossível", observou o governante.

Considerando que os estudantes têm sido "bombardeados todos os dias com notícias de guerra", o governante afirmou: "Nunca foi tão relevante trazer a paz para dentro do vocabulário das escolas".

João Costa relacionou depois o sucesso educativo e o seu papel no chamado "elevador social" com a questão da saúde mental nas escolas, a propósito do estudo "Observatório Escolar: Monitorização e Ação - Saúde Psicológica e Bem-estar", que, encomendado pelo Ministério da Educação e envolvendo diversas entidades, esta semana revelou dados preocupantes sobre o inquérito a mais de 8.000 alunos e 1.400 docentes do ensino pré-escolar ao 12.º ano.

"O principal desafio continua a ser o da equidade. Apesar de todos os nossos sucessos e transformações, continuamos a ter as desigualdades socioeconómicas como principal preditor do insucesso", referiu o ministro, admitindo que "muitas das causas estão fora da escola", mas assegurando que "o sucesso constrói-se fora e dentro" dos estabelecimentos de ensino.

Recomendando que a flexibilidade escolar seja vista "como uma ferramenta para melhor aprendizagem e mais inclusão", João Costa apontou o estudo do bem-estar emocional em contexto educativo como um dos novos instrumentos a que pretende recorrer para sustentar as decisões do seu Ministério em indicadores concretos "e não em laxismos ou opiniões".

"Perceber que a saúde mental foi fortemente impactada pela pandemia, saber que a saúde mental é um preditor de como se aprende, significa ter a responsabilidade de fazer o levantamento destes dados e vamos fazê-lo periodicamente, de dois em dois anos", anunciou.

No mesmo sentido, duas outras medidas foram já influenciadas pelas conclusões do referido estudo: "Decidimos prorrogar no próximo ano letivo os planos de desenvolvimento pessoal, social e comunitário, que, nas reuniões que tivemos com diretores das escolas, foram repetidamente referidos como estando a ter grande impacto. Vamos também, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, capacitar as escolas com materiais cientificamente validados para trabalhar essas dimensões".

João Costa insistiu que já não é preciso "ir a países longínquos para ver um sistema educativo moderno e contemporâneo" porque "a escola pública portuguesa faz muito e muito bem", mas alertou que a saúde mental não é uma temática complementar ao programa letivo. "Isto não é à margem do currículo -- isto é currículo, porque, quando trabalhamos a motivação, estamos a trabalhar a vontade de aprender", concluiu.

Leia Também: Mobilidade por doença e contratos? Fenprof pede negociação suplementar

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Sexto ano consecutivo Escolha do Consumidor e Prémio Cinco Estrelas para Imprensa Online.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download

;
Campo obrigatório