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Ana Gomes defende que Díli tem importância estratégica para Portugal

A diplomata Ana Gomes chegou hoje a Díli para as celebrações dos 20 anos da restauração da independência de Timor-Leste, país que defende ter uma importância estratégica para Portugal maior do que muitos portugueses percecionam.

Ana Gomes defende que Díli tem importância estratégica para Portugal

"Vou ficar até domingo, vim convidada pelo Presidente, Ramos-Horta, e é sempre para mim uma emoção vir a Timor e claro que no 20.º aniversário da independência ainda mais", declarou Ana Gomes à agência Lusa, num hotel em Díli.

Questionada pela Lusa, a antiga embaixadora em Jacarta contou que já iniciou a escrita do seu livro sobre o processo de independência de Timor-Leste: "Estava a escrevê-lo quando começou a guerra na Ucrânia, e perturbou-me tanto que o adiei por uns meses. Mas ainda retomarei este ano a escrita, porque acho que tenho obrigação de escrever esse livro".

Ana Gomes era para ter chegado há dois dias, mas houve uma ligação aérea que falhou: "Só cheguei esta manhã, mas cá estou para o dia da independência".

Hoje, em Díli, assistiu à cerimónia do içar da bandeira nacional em comemoração da independência, no Palácio da Presidência, onde também esteve o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, que representa o Estado português e a União Europeia nestas cerimónias oficiais, na sua primeira visita oficial a Timor-Leste.

"Não troquei impressões, mas já cumprimentei o senhor Presidente. A sensação que eu tenho é muito importante, claro, que o nosso Presidente aqui esteja, porque este é um tempo também especial para todos os portugueses que vibraram com Timor", disse.

Ana Gomes acrescentou que "Timor é muito mais muito importante do que a maior das pessoas hoje em Portugal perceciona", assinalando que "vai em breve ser membro da ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático]" e que "é a parte do território asiático que fala português".

"Ao contrário de Macau, aqui fala-se português. Mais e melhor se podia falar se também houvesse mais investimento da nossa parte -- e não estou a falar do trabalho extraordinário feito pelos professores de português, mas ao nível, por exemplo, dos órgãos de comunicação social", considerou.

Segundo a ex-eurodeputada, "a televisão e outros media eletrónicos podiam ser aqui muito úteis no aprofundamento da qualidade do português que se fala aqui".

"Eu sou das pessoas que acham que a decisão de escolher o português é estratégica para Timor, para o reforço da identidade timorense. Mas também devia ser entendida como estratégica por Portugal, porque esta é obviamente a nossa grande porta de interesses na Ásia para o tipo de relações que eu penso que são profícuas para Portugal", sustentou.

Na Ásia, Portugal deve procurar relações que não sejam "de dependência de uma grande potência como é o caso da China", mas antes "de valorização da capacidade do nosso relacionamento económico, comercial, mas também político com todos os povos da região", advogou.

Ana Gomes, militante socialista, foi candidata às presidenciais de 2021 sem apoio do PS, nas quais Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito Presidente da República.

Como diplomata, serviu nas missões junto da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra e Nova Iorque e nas embaixadas em Tóquio e Londres. Entre 1999 e 2003 foi chefe de missão e embaixadora em Jacarta, tendo acompanhado o processo de independência de Timor-Leste, conseguida após uma luta de libertação contra a ocupação indonésia, e de restabelecimento das relações diplomáticas luso-indonésias.

Leia Também: Marcelo "é o avô Nana de Portugal" nas redes sociais em Timor-Leste

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