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Cientistas esperam que o seu protagonismo não se esgote na pandemia

Cientistas esperam que o protagonismo que a pandemia da covid-19 lhes deu possa ser um rastilho para uma presença mais assídua da sua intervenção no espaço público e mediático e como suporte de decisões políticas.

Cientistas esperam que o seu protagonismo não se esgote na pandemia
Notícias ao Minuto

10:08 - 19/02/22 por Lusa

País Covid-19

Por causa da pandemia de covid-19, que chegou a Portugal em 02 de março de 2020, quando foram oficializados os dois primeiros casos de infeção, cientistas de diferentes áreas foram convocados para, a um ritmo que se tornou constante, dar pareceres e explanar dados e cenários em reuniões públicas promovidas pelo Governo, que antecederam muitas das decisões políticas tomadas.

"Os políticos começaram a ouvir cientistas para tomarem decisões", assinalou à Lusa o bioquímico Cláudio Soares, que dirige o Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) António Xavier.

O investigador defende que, na realidade, os políticos "sempre ouviram" os cientistas - que costumam estar por detrás de pareceres técnicos e são conselheiros do Presidente da República - "mas o público é que não sabia".

O que mudou de certa forma com a pandemia, segundo Cláudio Soares, é que "os cientistas, que trabalham em tempos mais longos e em maior reclusão mediática, saltaram para a praça pública porque foram necessários".

Alguns, inclusive, "transformaram-se em políticos, e ao mesmo tempo não sabiam ser políticos", sustentou.

"A ansiedade das pessoas exige certezas. Às vezes, querem acreditar naquele [cientista] que parece mais credível, naquele que diz as coisas mais positivas. Por vezes, são os que dizem as coisas mais negativas que estão certos ou podem estar certos", ilustrou Cláudio Soares.

Para Cláudio Soares, uma das lições a retirar da pandemia de covid-19 é a de que "a decisão baseada em ciência" não se irá perder.

"Os cientistas podem não estar todos os dias nos telejornais, mas que sejam chamados quando é necessário", defendeu.

O imunologista Miguel Prudêncio, do Instituto de Medicina Molecular (IMM) João Lobo Antunes, gostaria que a intervenção dos cientistas no espaço público não se esgotasse com a pandemia e que a covid-19 "deixasse algum lastro, sementes" para que isso continue, e que os decisores políticos tenham "cada vez mais em conta" o que a comunidade científica tem para dizer.

"As pessoas esquecem-se de que há uma série de outros problemas que estão por resolver", acentuou.

Vontade em "explicar o que está a acontecer" não falta aos cientistas, segundo a virologista Maria João Amorim, do Instituto Gulbenkian de Ciência. É preciso é que do outro lado, políticos e cidadãos queiram "saber um bocadinho mais, ver como a ciência está a evoluir".

A geneticista Luísa Pereira, do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, acha que "vai ser cada vez mais frequente" os cientistas serem chamados a "dar pareceres para decisões políticas", mas faz um reparo.

"Claro que corremos o risco de muitas vezes as decisões parecerem baseadas na ciência, mas depois não é bem assim...", reconheceu.

Luís Graça, imunologista e membro da Comissão Técnica de Vacinação Contra a Covid-19, criada pela Direção-Geral da Saúde, não se surpreende que, no futuro, "continue a haver uma presença frequente de cientistas no espaço público a transmitirem opiniões técnicas sobre diferentes assuntos com relevância para a sociedade".

"Houve uma consciencialização de que algumas decisões devem ser tomadas com base em informação científica e técnica", afirmou, apontando como exemplos a campanha de vacinação e os tratamentos adequados contra a covid-19.

Para o investigador do IMM, "o mais importante é ser transparente na informação que se deve transmitir ao público, justamente para evitar que haja suspeita de ocultação de informação. O cientista deve contribuir para a literacia científica da população, mostrando como a ciência é feita".

"A ciência não é algo com uma característica mágica, mas o resultado de estudos que precisam de ser feitos. Os resultados desses estudos é que informam uma decisão", afirmou Luís Graça, realçando que a pandemia da covid-19 "mostrou como estes aspetos são críticos".

De acordo com o imunologista "quando não se segue a receita da ciência, os resultados podem ser muito negativos" e a covid-19 assim o revelou: "No Brasil não houve uma tomada de decisão com base na ciência que poderia ter reduzido o impacto da pandemia na população".

A covid-19, uma doença respiratória causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, foi declarada como uma pandemia em 11 de março de 2020.

Leia Também: Covid-19. Cientistas saíram do laboratório para a casa dos portugueses

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