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Fadista Nuno de Aguiar celebra 70 anos de carreira na Voz do Operário

O fadista Nuno de Aguiar, autor do fado "Bairro Alto", celebra 70 anos de carreira, com um espetáculo a realizar no sábado, em Lisboa, que reúne 24 artistas.

Fadista Nuno de Aguiar celebra 70 anos de carreira na Voz do Operário

Em declarações à agência Lusa, o fadista manifestou o seu "grande contentamento" por o espetáculo se realizar no bairro da Graça, onde nasceu há 80 anos, n'A Voz do Operário, instituição da qual a sua avó paterna, Maria Emília da Tabaqueira, foi sócia honorária.

"Eu conheci-a e era na casa dela que alimentava, ainda miúdo, a minha paixão pelo fado, ouvindo os programas de fados transmitidos pela Emissora Nacional, Rádio Graça, Voz de Lisboa ou na Rádio Peninsular", contou Nuno de Aguiar, que começou a cantar ainda menino, aos 9, 10 anos, a pedido dos vizinhos, que lhe ofereciam "moedas de dez escudos, daquelas com a caravela no verso", recordou.

Para o seu biógrafo, João Paulino, Nuno Aguiar foi "uma criança que se fez homem no fado".

"Desde menino, pelos meus nove anos só me puxava para cantar o fado, e escapava-me dos meus pais para ir cantar para Alfama", afirmou à Lusa Nuno Aguiar, afirmando que preferia cantar fado ou ouvi-lo à portas das tabernas, em vez de jogar os jogos habituais das crianças como o do pião ou aos polícias e ladrões.

Um dos seus "fãs" foi o então presidente da Câmara de Lisboa, general França Borges (1901-1986), que lhe deu dez escudos, com os quais comprou uma sandes, recordou. 

Nuno Aguiar é o nome artístico que adotou quando regressou do serviço militar e foi convidado por Emílio Mateus para gravar para a editora Estúdio.

O fadista foi batizado como Concórdio Henriques de Aguiar e, aos 15 anos, gravou na extinta Rádio Graça. Em 1960, venceu o Concurso Primavera do Fado, no Coliseu dos Recreios, ultrapassadas as diferentes eliminatórias no Café Luso, em Lisboa.

Nuno de Aguiar atou em várias casas de fado lisboetas como o Retiro da Severa e, mais tarde, a convite da fadista Lucília do Carmo (1919-1998), n'O Faia. Atuou também no Casino do Funchal, começando então a desenhar-se o seu percurso internacional.

Esteve durante nove anos nos Estados Unidos onde atuou para a comunidade portuguesa e não só.

Mais tarde fez parte do elenco de uma casa de fados em Lourenço Marques (atual Maputo), até 1974, quando regressou a Lisboa e atuou no Forcado. Posteriormente foi a vez do "Picadeiro", em Cascais, nos arredores de Lisboa.

O musicólogo Rui Vieira Nery, que liderou a candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade, afirma no prefácio à sua biografia, intitulada "O Meu Sangue é Fado -- De Concórdio Henriques a Nuno de Aguiar", que o criador de "Bairro Alto" é um "representante destacado de uma linhagem de fadistas castiços", citando, entre outros, Alfredo Marceneiro, Joaquim Campos e Filipe Pinto.

"Nuno de Aguiar é alguém que sabe revisitar, de um modo muito pessoal, cada um destes grandes fados que conhecemos desde sempre, redesenhando-os de cada vez à sua maneira, descobrindo-lhes sempre novos contornos que nos surpreendem, inspirados ora por uma imagem poética ora mais forte ora mais frágil, ora mais enérgica ora mais doce", escreve Vieira Nery.

Nery diz ainda que Nuno de Aguiar "nos faz saborear cada palavra do texto e nos deixa partilhar as alegrias e sofrimentos dos personagens que nos vai retratando".

O estudioso Luís de Castro, do conselho consultivo do Museu do Fado, disse à Lusa que Nuno de Aguiar é "um dos poucos fadistas que sabe contar uma história".

"O Nuno de Aguiar é um belíssimo estilista, com boa dicção que sabe dividir bem um verso, características essenciais a um fadista", salientou Luís de Castro.

Numa reflexão sobre fado, Nuno de Aguiar afirmou que "é a canção de todos os portugueses, que tem seguido sempre o seu rumo".

Entre os êxitos do fadista, refira-se "Bairro Alto", música sua para uma letra de Carlos Simões Neves, "Lembras-te, Mãe?", "Jardim do Coração", "Beijo a Noite", "Toma lá Meu Coração" e "Rouxinol da Ribeira", entre outros.

No próximo sábado, às 21:00, sobem ao palco d'A Voz do Operário, para homenagear Nuno de Aguiar, Rão Kyao, António Pinto Basto, Adriano Pina, Florinda Maria, Nuno da Câmara Pereira, Dina do Carmo, Yolanda e Bruno Soares e Esmeralda Amoedo, assim como Daniel Gouveia e Rolando Dias, e os músicos Pedro Marques, na guitarra portuguesa, Lelo Nogueira, na viola, e Miguel Gelpi, na viola baixo, entre outros nomes o fado.

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