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Câmara da Póvoa de Varzim suspende apoio a clube que pediu indemnização

A Câmara da Póvoa de Varzim, do distrito do Porto, suspendeu o apoio anual ao Clube Desportivo da Póvoa (CDP), considerando que não pode manter uma relação com um clube que lhe reclama uma indemnização de 13 milhões de euros.

Câmara da Póvoa de Varzim suspende apoio a clube que pediu indemnização

A situação remonta a junho deste ano, quando a autarquia divulgou que uma empresa angolana tinha avançado com uma ação judicial exigindo a indemnização, pela suspensão de um projeto imobiliário nos terrenos do CDP, que não teve sequência, porque o Plano Pormenor para o local foi suspenso pela Câmara Municipal.

O presidente da Câmara da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, considerou que o clube é o promotor do processo judicial, e, por isso, decidiu suspender a assinatura do contrato-programa de apoio anual, no valor de 85 mil euros.

"O CDP, através de uma interposta empresa, colocou-nos uma ação em tribunal, com um pedido de indemnização de 13 milhões de euros. Foi-nos aconselhado pelos advogados que o município não continue a ter uma relação de subsidiar um clube que, por outro lado, está a demandar uma indemnização por supostos direitos de construção", disse o presidente da Câmara.

Aires Pereira garantiu que "enquanto se mantiver o processo, o município não terá qualquer relação com CDP para patrocinar a sua atividade desportiva", considerando que os poveiros "dificilmente perceberiam que a Câmara fizesse de conta que nada disto estivesse a acontecer e continuasse a financiar o clube que lhe reclama uma indemnização".

"Foi a direção do clube que decidiu ir por este caminho, por isso terão de ter a capacidade de superar [financeiramente] esta situação que criou", acrescentou Aires Pereira.

A agência Lusa tentou contactar o presidente do Clube Desportivo da Póvoa (CDP) para obter uma reação, mas não obteve resposta.

O clube pretendia desenvolver um projeto residencial nos seus terrenos, junto à costa, ao abrigo de um Plano de Pormenor elaborado em 2009, que permitia ao CDP e ao Varzim, outra das mais relevantes instituições desportivas da cidade, edificar projetos imobiliários nos seus terrenos junto ao mar, caso decidissem deslocar os equipamentos desportivos e de lazer existentes no local para o Parque da Cidade.

O Varzim, que inicialmente mostrou intenção nessa mudança e na construção de um novo estádio, acabou por desistir, levando a câmara, em 2018, a considerar que seria necessário rever o processo e a suspender o Plano Pormenor.

O CDP, que perante a posição do Varzim também optou por manter as suas instalações desportivas no local atual, acordou, no entanto, com a empresa angolana PEC a construção de um edifício residencial, em parte dos seus terrenos.

Já em junho deste ano, o clube fez um aditamento ao contrato, cedendo à empresa angolana todos os direitos adquiridos no decurso do Plano Pormenor, incluindo uma eventual indemnização, que seria divida em partes iguais.

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