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"A política portuguesa desenvolver-se-á serena, calmamente em Portugal"

António Costa recusou-se a responder "no estrangeiro" a perguntas sobre a crise política portuguesa. O governante esteve em Espanha onde assinou oito novos acordos bilaterais com o país vizinho.

A 32.ª cimeira entre Portugal e Espanha começou, esta quinta-feira, em Trujillo, Espanha, com o primeiro-ministro português, António Costa, a ser recebido pelo homólogo espanhol, Pedro Sánchez, numa cerimónia com honras militares no castelo da povoação.

Depois de assinados oito acordos bilaterais, os governantes falaram aos jornalistas.

O primeiro-ministro espanhol começou por explicar o novo tratado de cooperação e os acordos assinados, garantido que os países avaliaram "vários projetos no quadro do plano de recuperação de transformação e resiliência para favorecer o posicionamento da Península Ibérica no desenvolvimento tecnológico e na inovação na produção de energias renováveis particularmente no hidrogénio verde". Além disso, assegurou Pedro Sánchez, ambos os países têm o objetivo que a Península Ibérica se transforme num "hub digital", com o "desenvolvimento da aliança ibérica digital que hoje subscrevemos".

O ministro espanhol realçou ainda a aposta da Península Ibérica "nos caminhos de ferro, assim como a disposição de pontes de carga na rede de estradas e a digitalização da rede".

Já António Costa, depois dos devidos agradecimentos a Espanha e de expressar a solidariedade com os habitantes de La Palma, destacou vários "marcos particularmente importantes" como a assinatura do novo de tratado de amizade e cooperação que, tal como admitiu, "pode parecer um mero exercício diplomático, mas tem uma dimensão política e geoestratégica da maior importância", além de "modernizar" as relações entre ambos os países.

Outro dos assuntos que este encontro veio evidenciar, segundo o Chefe de Governo português foi a "importância de termos uma Europa que reforça a sua soberania, mas se mantém aberta ao mundo".

"E se há países que contribuíram para a abertura de Europa ao mundo foi Portugal e Espanha", frisou António Costa, recordando a viagem de circunvalação iniciada por Magalhães e concluída por Sebastián Elcano.

O governante português recordou ainda a aprovação da estratégia comum de desenvolvimento transfronteiriço e a luta de Portugal e Espanha para que "a resposta a esta crise fosse uma resposta de solidariedade e não uma resposta de austeridade".

Sánchez elogia Costa. "São poucos os Chefes de Governo com tanta capacidade e competência como ele"

Já nas questões dos jornalistas, as perguntas foram, essencialmente, sobre o chumbo do OE2022 e a crise política que se vive em Portugal. Contudo, António Costa quis manter o "princípio" de não falar das questões políticas interna quando está no estrangeiro.

"Quanto à realidade política portuguesa ela desenvolver-se-á serena, calmamente em Portugal", atirou o governante.

Contudo, instado, por outro jornalista, a dizer se considera que vão ser marcadas eleições antecipadas, António Costa respondeu que o Presidente da República (PR), Marcelo Rebelo de Sousa, é "a única pessoa que pode e deve responder".

"Porque é isso que determina a Constituição [da República Portuguesa], é o senhor Presidente da República", justificou António Costa, acrescentando que, "no espírito de cooperação institucional" que o Governo mantém com o Presidente, o Executivo agirá "conforme o senhor Presidente assim decidir".

Já Pedro Sánchez, questionado sobre o que faria caso em Espanha acontecesse o mesmo, fez questão de recordar que "Espanha e Portugal têm sistemas políticos diferentes". "Quem convoca eleições em Espanha é o presidente do Governo", visto que, no país vizinho não há Presidente da República, mas sim um monarca.

O primeiro-ministro espanhol fez ainda questão de realçar que "Portugal é um exemplo de estabilidade", garantindo que, depois de observar António Costa a trabalhar no Conselho Europeu, foram poucos os Chefes de Governo que mostraram "tanta capacidade e competência" como o primeiro-ministro português.

"A capacidade de diálogo, de trabalho para alcançar acordos e de obter esses acordos. Essa é a experiência que tenho com ele", elogiou Pedro Sánchez.

Na quarta-feira, o parlamento chumbou, na generalidade, o OE2022 com os votos contra do PSD, BE, PCP, CDS-PP, PEV, Chega e IL, abrindo caminho a eleições legislativas antecipadas.

O PS foi o único partido a votar a favor da proposta orçamental, à qual se abstiveram PAN e as duas deputadas não-inscritas, Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues.

Antes da votação, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinha avisado que perante um chumbo do OE2022 iria iniciar "logo, logo, logo a seguir o processo" de dissolução do parlamento e de convocação de eleições legislativas antecipadas.

Leia Também: Cimeira. Governo português recebido com honras militares em Espanha


  

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