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Incidentes na Figueira da Foz são "reflexo da falta de prevenção"

O tiroteio e agressões aos proprietários de um bar, ocorridos na madrugada de domingo na Figueira da Foz, são "reflexo da falta de prevenção", disse hoje o presidente da associação que representa comerciantes e empresários do Bairro Novo.

Incidentes na Figueira da Foz são "reflexo da falta de prevenção"

"O que aconteceu é lamentável e reflexo da falta de prevenção sobre uma situação [de insegurança] diversas vezes mencionada e devidamente identificada. Nestes moldes, é completamente impossível continuarmos a trabalhar e a funcionar", disse à agência Lusa Álvaro Tomás, presidente da Associação do Bairro Novo, zona turística da Figueira da Foz onde se concentram bares e restaurantes e o Casino local.

Em causa estão duas situações distintas, ambas ocorridas na madrugada de domingo e sob investigação da PSP: cerca das 03:00, num tiroteio que não provocou feridos, um homem, de acordo com um vídeo publicado nas redes sociais, em aparente discussão com outras pessoas, dispara dois tiros, um para o ar e outro a direito. Uma hora mais tarde, a poucas dezenas de metros, três homens agrediram, no exterior de um bar que já se encontrava encerrado, o casal de proprietários e uma funcionária do estabelecimento.

Álvaro Tomás sustenta que a noite do Bairro Novo está, atualmente, "diferente" daquilo que foi ao longo de muitos anos, numa alusão quer aos horários dos bares, quer ao seu modo de funcionamento, vários de porta aberta para a rua e 'transformados' em mini-discotecas, com o consequente acumular de clientes no exterior.

"Era de aproveitar para fazer uma redução horária e do 'modus operandi' como funcionam alguns bares. Isto sem esquecer os cuidados de prevenção, porque é por demais notória a falta de policiamento", argumentou o empresário de restauração.

"Se a polícia não tem meios, há-de haver solução. Todos nós pagamos os impostos, todos nós somos cidadãos, e precisamos de segurança, precisamos de nos sentir confortáveis. Nós comerciantes a mesma coisa, eu quero sentir-me seguro no meu local de trabalho", acrescentou.

Questionado sobre o projeto de instalação de videovigilância, promovido pelo anterior executivo autárquico, mas cujo concurso ainda não foi lançado, Álvaro Tomás admite que as câmaras ligadas à PSP "podem ajudar e serem uma maneira de dissuadir certas situações".

"Mas poderá não ser suficiente. Este fim-de-semana as situações foram graves, mas não há fim de semana nenhum em que não haja quezílias e certos e determinados problemas, em locais que estão por demais identificados", notou.

Entretanto, em comunicado publicado no Facebook, a gerência do Zeitgeist Caffe -- o bar cujos proprietários e funcionária foram agredidos, necessitando de receber tratamento hospitalar -- manifesta "preocupação com as crescentes manifestações de insegurança e violência que têm tido lugar" no Bairro Novo.

"É algo que não pode de forma alguma acontecer, uma vez que consideramos a segurança dos nossos amigos e clientes, bem como a nossa própria, um fator essencial para podermos oferecer o serviço de qualidade que nos é reconhecido. Esperamos também que, apesar das desagradáveis consequências pessoais devido ao incidente ocorrido, o mesmo sirva para chamar a atenção para um problema que, do nosso ponto de vista, não pode de forma alguma continuar", acrescenta a publicação.

No comunicado, a gerência do bar agradece a "preocupação inexcedível, imediatamente após os infelizes acontecimentos" transmitida "pessoalmente" pelo presidente da Câmara Municipal Pedro Santana Lopes e manifesta "plena confiança" no executivo camarário "de que tudo será feito para que tais situações não voltem a acontecer".

No texto, em que agradecem ainda as "centenas de mensagens" recebidas e garantem "estar bem", os gerentes do Zeitgeist Caffe dizem esperar, embora sem especificar, que "esta situação sirva também para consciencializar todos os empresários de restauração do Bairro Novo a repensarem com muita atenção toda a sua estratégia empresarial".

"Até porque, a continuar desta forma, não conseguimos ver um futuro muito auspicioso para os nossos negócios", referem.

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