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Este ano, a "falta de professores começa a sentir-se mais cedo"

Fenprof considera que não está "garantido que todos os alunos terão todas as aulas". E 'ataca' os responsáveis do Ministério da Educação.

Este ano, a "falta de professores começa a sentir-se mais cedo"

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considera que a "falta de professores, este ano, começa a sentir-se mais cedo nas escolas" e avisa a estrutura sindical que não está garantido "que todos os alunos terão todas as aulas". 

Em nota a que o Notícias ao Minuto teve acesso, a Fenprof começa por asseverar que "já se sabia" que as escolas "tinham iniciado o ano letivo" com "menos professores colocados", uma vez que "apesar de se terem vinculado 2.424 docentes, houve, após a última 'Reserva de Recrutamento', a terceira, menos 710 contratações, a que acrescem as 1.852 aposentações verificadas ao longo de todo o ano escolar anterior".  

Para a estrutura, "só estes números já confirmavam que as escolas, apesar de toda a autonomia que tiveram para elaborar os seus planos de recuperação [...] não tiveram essa autonomia quando se tratou de fixar o reforço de recursos, nomeadamente docentes, para os concretizarem". 

"Se o que antes se expõe já era suficientemente preocupante relativamente à capacidade das escolas para levarem por diante, com êxito, os seus planos de recuperação", acrescenta ainda a Fenprof, a preocupação "aumenta" perante o que considera ser "a dificuldade em se conseguirem todos os professores que são necessários ao seu normal funcionamento, não estando, por isso, garantido que todos os alunos terão todas as aulas". 

E dá, na mesma nota, um exemplo concreto: "Se olharmos para o número de horários em concurso de contratação de escola, hoje, 21 de setembro, de manhã, verificamos que dos mais de 1.500 publicitados, cerca de 1.400 correspondem a grupos de recrutamento e, destes, 1.344 são constituídos por oito ou mais horas". Isto significa, descrevem, que "deveriam ter sido preenchidos através da Reserva de Recrutamento, o que não aconteceu por falta de candidatos ou não aceitação, em muitos casos devido ao baixo número de horas".

A Fenprof 'ataca' ainda os responsáveis do Ministério da Educação, por estes afirmarem que "por via da contratação de escola, será mais fácil garantir o preenchimento". Mas "não esclarecem como será possível encontrar docentes que, a nível nacional, não existiam ou atrair os disponíveis para horários a que correspondem salários inferiores às despesas de deslocação e fixação fora da área de residência familiar", frisa.

"Além disso, a resolução do problema através da contratação de escola levará a que muitos dos horários sejam atribuídos a pessoas sem qualificação profissional o que, eventualmente, apenas servirá ao Governo que, dessa forma, pagará menos por hora contratada", considera ainda.

"A falta de professores é um problema já conhecido de anos anteriores, para o qual a FENPROF tem vindo a chamar a atenção dos governantes, mas em relação ao qual nada foi feito pelo Governo", sublinha ainda o sindicato, vincando que o problema tem tendência a agravar-se com o "envelhecimento dos professores e com a fuga dos jovens à profissão docente". 

"A não serem dados os passos necessários e ao manterem-se bloqueadas as vias de diálogo e negociação destinadas a resolver estes e outros problemas, a falta de professores tenderá a agravar-se e não é a possibilidade de contratação pelas escolas que a resolverá, pois o problema é bem mais profundo do que pretendem reconhecer os governantes que se limitam a apontar para o regime de recrutamento e não pelas melhores intenções", termina a nota. 

Leia Também: Fenprof quer criar movimento contra processo de municipalização

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