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De 89% para 48%. Baixa "abrupta" de anticorpos em idosos vacinados

Este é um dos resultados do estudo do Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve e da Fundação Champalimaud. Participaram 5.174 pessoas - 2.871 utentes e 2.303 funcionários de lares.

De 89% para 48%. Baixa "abrupta" de anticorpos em idosos vacinados

Passados quatro meses após duas doses de vacina contra a Covid-19, há uma "diminuição abrupta" dos anticorpos em pessoas com idade igual ou superior a 70 anos. Esta é uma das conclusões de uma investigação do Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve e da Fundação Champalimaud, hoje apresentado.

No estudo participaram 5.174 pessoas - 2.871 utentes e 2.303 funcionários de lares - e este decorreu durante 15 dias do mês de agosto no Alentejo e Algarve. Aqui, percebeu-se existia um 'ponto de viragem' para a queda: ocorre aos quatro meses após a vacinação contra a Covid-19 ter ficado completa, quando os anticorpos passam de 89% para 48%, indica a TVI24.

"Há uma diminuição abrupta dos anticorpos em pessoas com mais de 70 anos que tenham tido duas doses de vacina e quatro meses após a vacinação completa", anunciou o responsável do estudo do Algarve Biomedical Center, que foi apresentado em Viseu. "Contrariamente", acrescentou, "as pessoas que tiveram covid-19 e que receberam uma dose de vacina mantêm níveis altos de anticorpos ao longo de todo o tempo". 

A população do estudo foi maioritariamente feminina, e entre os funcionários a idade média foi de 47 anos enquanto nos utentes foi de 85 anos. Destes, 2.277 têm mais de 80 anos e mais de 1.000, têm mais de 90 anos.

Nuno Marques explicou que os objetivos do estudo, "o maior do género", era perceber qual a percentagem de utentes e funcionários de lares que possuem anticorpos para a covid-19, durante quanto tempo utentes e funcionários mantêm anticorpos após a vacinação, se a presença de anticorpos varia com a idade e se haveria diferenças na presença de anticorpos entre as pessoas vacinadas com duas doses e as que tiveram covid-19 e receberam uma dose de vacina.

"O estudo mostrou que nos funcionários temos anticorpos presentes em 79% deles e nos utentes em 46% deles. É uma diferença estatisticamente significativa e altamente considerável entre os dois, mas este dado precisava de ser trabalhado de outra forma para se compreender melhor", avisou.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, assistiu à apresentação do estudo e, no final, disse que iria levar o documento para a reunião de peritos hoje no Infarmed, porque "a informação ajuda na decisão" a tomar para o futuro.

"Fica evidente neste estudo que não podemos baixar a guarda, do ponto de vista de manter as medidas de proteção, naturalmente com uma capacidade de irmos evoluindo, como fomos evoluindo", disse Ana Mendes Godinho.

A governante alertou que "há muitas outras características deste isolamento que depois também têm efeitos nefastos nas pessoas" e apelou para que se cuide "dos outros lados da pandemia, nomeadamente do isolamento dos idosos".

Ana Mendes Godinho disse que uma das medidas preventivas para proteger os idosos é "a testagem aos funcionários à entrada dos lares que vai manter-se" no programa de outono e inverno que está a ser preparado e pediu "a abertura para as visitas, sempre com medidas de prevenção, para retomar a vida de forma tranquila" também nos lares.

[Notícia atualizada às 13h26]

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