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"Vivas" e longos aplausos no último adeus a Jorge Sampaio

A saída do cortejo fúnebre de Jorge Sampaio foi hoje aplaudida pelas centenas de pessoas que aguardaram em silêncio durante duas horas em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, que também entoaram "viva" e "Sampaio" no último adeus ao antigo Presidente a República.

"Vivas" e longos aplausos no último adeus a Jorge Sampaio

No momento em que a urna transportada por cadetes dos três ramos das Forças Armadas, coberta com a bandeira nacional, abandonou os Jerónimos, as centenas de pessoas que assistiram à cerimónia evocativa ao antigo chefe de Estado no exterior aplaudiram Sampaio até ao momento em que o cortejo partiu em direção ao Cemitério do Alto de São João.

Entre aplausos foi também possível ouvir populares a gritar "viva" e "Sampaio" enquanto o cortejo deixava para trás os Jerónimos, composto pelos batedores da PSP, a escolta motorizada da GNR, o protocolo de Estado, uma viatura com coroas de flores, o carro funerário que transportava a urna, a viatura da GNR com as insígnias, a família de Jorge Sampaio, Presidente da República, presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro, e a restante escolta de honra.

Ao longo de duas horas, o silêncio foi a constante no exterior do mosteiro, apenas interrompido pelos discursos da família do antigo Presidente e das três mais altas figuras do Estado português, transmitidos através de um écra gigante.

As conversas eram escassas entre as pessoas que se aglomeravam nas barreiras de segurança e que acabaram por preencher quase a totalidade do troço da Praça do Império em frente ao mosteiro.

A homenagem dos filhos de Jorge Sampaio, André e Vera, foi aplaudida durante vários minutos e emocionou algumas pessoas que não retiravam os olhos do grande ecrã instalado para que a pandemia não impedisse ninguém de assistir à cerimónia o mais próximo possível do antigo Presidente.

Entre a enchente de pessoas que assistiu e aplaudiu a cerimónia estava Patrocínia Matos, que chegou ao Mosteiro dos Jerónimos às 09:00 para participar na despedida e disse à agência Lusa que estava triste por não poder estar "lá dentro".

"Admirava-o como um grande homem, em tudo. Tive a honra e o prazer de o conhecer e de lhe dar dois beijinhos quando se recandidatou. Estou aqui, como muita gente está, porque ele merece, tanto em vida, como agora, esta homenagem que Portugal lhe está a fazer", contou.

Empoleirado nas barreiras de segurança a assistir esteve Pompílio Álvaro, que chegou pelas 10:45 para a segunda e derradeira despedida.

"Neste dia, ontem de manhã em frente à Câmara [de Lisboa], hoje aqui, em frente aos Jerónimos, quero prestar a minha homenagem a este grande socialista e humanista que foi Jorge Sampaio", explicitou, voltando os olhos novamente para o ecrã mal porque o Presidente da República já tinha começado a discursar.

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu na sexta-feira aos 81 anos, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, Oeiras, onde estava internado desde 27 de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

Antes do 25 de Abril de 1974, foi um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, tendo, como advogado, defendido presos políticos durante a ditadura.

Jorge Sampaio foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).

Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e, entre 2007 e 2013, foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Atualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens sem acesso à educação.

Leia Também: Cerimónias oficiais do funeral de Jorge Sampaio terminaram perto das 13h

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