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Português condenado a prisão perpétua por matar mulher e filho na Suíça

Sentença foi conhecida esta segunda-feira.

Português condenado a prisão perpétua por matar mulher e filho na Suíça

O emigrante português, de 53 anos, que matou a mulher e o filho a tiro, em 2018, na Suíça, foi condenado, esta segunda-feira, a prisão perpétua e a pagar uma indemnizarão de cerca de 60 mil francos suíços (cerca de 56 mil euros) por danos morais à família da vítima, avança o jornal Le Matin.

De acordo com a mesma publicação, o magistrado responsável pelo julgamento do caso disse que se tivesse de julgar apenas um dos homicídios teria proferido a mesma sentença.

O Tribunal de Medidas Coercivas e Execução de Sentenças de Renens determinou ainda a expulsão da Suíça do arguido por 15 anos, prevista no Código Penal.

O juiz considerou ainda o português uma pessoa "fria", "egoísta", "sem remorsos" e "sem credibilidade".

Um marido "ciumento e possessivo"

O autor da tragédia, natural de Santa Maria da Feira, pedreiro de profissão, vivia na Suíça desde 2006 com a família.

O português foi acusado de ter alvejado a mulher e o filho mais velho, em Payerne, a 25 de abril de 2018, após uma violenta discussão.

Questionado pelo presidente do tribunal, na audiência de 16 de agosto, o português reconheceu "desentendimentos" com a sua mulher, mas assegurou que não imaginava que poderia ter-se transformado em tal "barbaridade". 

O emigrante negou ainda ter ido na noite do crime ao apartamento da mulher, de quem vivia separado há cerca de um ano, para a matar. No entanto, o homicida não conseguiu explicar os motivos pelos quais estava munido de uma arma carregada e um segundo carregador no dia do crime.

A mulher do acusado, também portuguesa, vivia com os seus dois filhos, de 13 e 18 anos, num apartamento no centro da cidade de Payerne. A vítima tinha deixado a casa familiar em setembro de 2017, por não suportar as agressões, insultos e ameaças de morte a que tinha sido sujeita durante vários anos pelo marido. 

O Ministério Público afirma que nos dias que antecederam a tragédia, o homicida terá enviado várias mensagens de texto nas quais insultava a mulher, após uma visita a casa da vítima, onde houve uma violenta discussão. Sem resposta às mensagens enviadas, o homem terá decidido ir a casa da vítima onde acaba por matar o seu filho mais velho e a mulher com 30 tiros. 

Na noite do crime, o emigrante português terá confessado ter matado a mulher e o filho a pessoas próximas e, após uma negociação com a polícia, rendeu-se na madrugada do dia seguinte. 

O Ministério Público descreve o homicida como um marido "ciumento e possessivo", que, depois de ter sido abandonado pela mulher, planeou os homicídios. "Ele não disparou para todo o lado. Apontou para a cabeça, o tórax e o abdómen. Disparou prolongadamente e de forma metódica", alegou a procuradora que acompanha o caso, no última audiência. 

Segundo a alegação da representante do Ministério Público, o castigo a aplicar ao pai de família não está aberto a discussão: é necessária a prisão perpétua.

Uma medida terapêutica ou internamento não é uma opção, acrescentou, visto que o psiquiatra não detetou qualquer perturbação mental grave no homem. Por uma questão de forma, a procuradora também solicitou a sua expulsão da Suíça pelo período máximo de 15 anos, previsto no Código Penal. 

De acordo com o jornal La Liberté, a defesa da vítima convidou os juízes a afastarem-se da imagem estereotipada do tirano da família e assassino a sangue frio esboçada pela acusação, a fim de abordar a personagem como um todo, tendo em conta as suas experiências de vida e a natureza disfuncional da sua casa.

"Compreender não é desculpar ou perdoar", salientou um dos advogados do homicida. Para a defesa, é impossível ignorar a infância do arguido, nem a dinâmica familiar disfuncional que levou a esta conclusão desastrosa. 

Leia Também: Procuradora pede perpétua e expulsão de português acusado de homicídios

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