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Portalegre aponta emprego como "única solução" e critica governos

A presidente da Câmara de Portalegre, Adelaide Teixeira, defendeu hoje que a "única forma" de contrariar a perda populacional é "criar emprego", considerando que os governos, ao contrário do município, "não têm feito a sua parte".

Portalegre aponta emprego como "única solução" e critica governos

"A única forma de resolvermos a situação é criar emprego e é isso que o município tem estado a fazer. É tentar captar o máximo de investimento", realçou à agência Lusa a autarca, a propósito dos dados preliminares dos Censos 2021, divulgados pelo INE.

O concelho de Portalegre, segundo estes dados, conhecidos na quarta-feira, perdeu 2.562 residentes na última década, passando de uma população de 24.930 pessoas, em 2011, para 22.368, em 2021, o que corresponde a uma diminuição de 10,3%.

A nível nacional, Portalegre é mesmo a capital de distrito que mais perdeu população em percentagem e é também o município capital de distrito com menor número de habitantes.

Sustentando que Portalegre precisa, da parte do Estado, de "um olhar completamente diferente em termos estratégicos", Adelaide Teixeira argumentou que os sucessivos governos "não têm feito a sua parte" e que isso reflete-se em "décadas de desinvestimento".

"Para trazermos para aqui uma empresa, é tudo com o esforço do município", nomeadamente com a aplicação da "isenção total da derrama e a isenção e redução de outras taxas", para "seremos competitivos", sublinhou.

A autarca afiançou que, mesmo com a câmara municipal a dar às empresas "tudo aquilo que a lei permite" para as convencer a instalarem-se em Portalegre, os empresários "começam a fazer contas" ao transporte de mercadorias.

"As empresas até querem vir para cá, mas não chega só aquilo que a câmara dá", porque não querem instalar-se em concelhos que não tenham "uma boa estrada e uma boa ferrovia", advertiu.

Segundo a presidente do município, "não há autoestrada" no concelho de Portalegre e uma viagem de comboio entre esta cidade e a capital, Lisboa, por exemplo, "demora quatro horas e 46 minutos".

"As políticas para estes territórios têm de ser alteradas, porque não tem havido qualquer tipo de investimento. Pelo contrário, tem havido desinvestimento, que passa por levarem daqui alguns serviços para outros locais", criticou.

O município até tem conseguido "nos últimos anos", em especial "neste último ano", captar empresas e pessoas para o concelho, mas esse trabalho "só terá reflexo daqui a uns anos", assinalou.

Para a autarca, "o grande problema" do território "é demográfico", pois, a região tem "uma pirâmide [etária] perfeitamente invertida", em que "o número de jovens é muito inferior ao de idosos".

"E, assim, não há sustentabilidade, porque não há reposição populacional", acrescentou.

Portugal tem hoje 10.347.892 residentes, menos 214.286 do que em 2011, o que representa um decréscimo de 2%, segundo os resultados preliminares dos Censos 2021, que mostram que o país acentuou o padrão de litoralização e concentração da população junto da capital.

O Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa (AML) foram as únicas regiões que registaram um crescimento da população nos últimos 10 anos, enquanto, do lado oposto, o Alentejo foi aquela que teve a quebra mais expressiva (-6,9%).

Leia Também: Distrito de Portalegre perde 13.517 habitantes em 10 anos

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