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Revolução podia ter sido "mais violenta" sem Otelo, diz Sousa e Castro

O militar de Abril Sousa e Castro disse que se não fossem as qualidades pessoais e militares de Otelo Saraiva de Carvalho, que faleceu hoje, aos 84 anos, a revolução poderia ter sido "mais violenta".

Revolução podia ter sido "mais violenta" sem Otelo, diz Sousa e Castro

"Uma revolução paradigmática, que alcança os seus objetivos, derruba uma ditadura, e não produz vítimas ao Otelo se deve", afirmou Sousa e Castro em declarações à Lusa, lamentando a perda de "um amigo".

Para o major reformado, "se fosse outro o comandante militar, provavelmente a conduta de operações e das próprias tropas em movimento poderia ter sido mais violenta", no 25 de Abril de 1974, salientou.

Porque Otelo tinha "características militares muito vincadas, era um homem disciplinado, mas sem ser agressivo, (...) de uma forma que quase se poderia dizer simpática", descreveu.

Além disso, "era uma pessoa muito corajosa, sem aquelas ousadias que não levam a lado nenhum. Era serenamente corajoso", sublinhou, admitindo, que algumas vezes esteve stev do lado oposto da barricada ao do seu amigo, já depois da revolução dos cravos.

Mas na sua opinião foram "essas características militares e de sociabilidade que o tornaram uma pessoa mais importante na conspiração".

"Tanto assim que, sendo ele major, foi comandar as operações para um posto de comando onde estavam tenentes-coronéis e majores mais antigos", ou seja, acima dele na hierarquia militar.

A acrescentar a essas qualidades, Sousa e Castro realçou ainda as características pessoais de Otelo, que "ajudaram a tudo": "A capacidade dele de fazer amigos, de juntar pessoas, de persuadir."

"Ele incutia a coragem nos outros, (...) mas de uma forma positiva, porque o discurso, ou as palavras que tinha para os capitães, que estavam mais empenhados em revoltarem soldados e saírem pelas estradas fora para derrubarem a ditadura (...) ele incutia uma coragem serena e recomendava-lhes sempre muita precaução para não ferirem ninguém", frisou o Major.

"E não esquecer que nós todos tínhamos experiência de combate", sublinhou.

Lembrando que, por vezes, em certas reuniões os ânimos se exaltavam e havia os que tinham mais vontade de desatar aos tiros, referiu que Otelo transmitia a essas pessoas "a ideia de firmeza mas moderação e de responder ao fogo só no caso de as pessoas afetas à ditadura atacassem"

Otelo Saraiva de Carvalho, militar e estratego do 25 de Abril de 1974, morreu hoje de madrugada aos 84 anos, no hospital militar.

Nascido em 31 de agosto de 1936 em Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho teve uma carreira militar desde os anos 1960, fez uma comissão durante a guerra colonial na Guiné-Bissau, onde se cruzou com o general António de Spínola, até ao pós-25 de Abril de 1974.

No Movimento das Forças das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano, foi ele o encarregado de elaborar o plano de operações militares e, daí, ser conhecido como estratego do 25 de Abril.

Depois do 25 de Abril, foi comandante do COPCON, o Comando Operacional do Continente, durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), surgindo associado à chamada esquerda militar, mais radical, e foi candidato presidencial em 1976.

Na década de 1980, o seu nome surge associado às Forças Populares 25 de Abril (FP-25 de Abril), organização armada responsável por vários atentados e mortes, tendo sido condenado, em 1986, a 15 anos de prisão por associação terrorista. Em 1991, recebeu um indulto, tendo sido amnistiado anos depois.

Leia Também: Otelo, o estratego "inconformista e temperamental" do 25 de Abril

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