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Portuguesa na Índia: “Não há camas, nem ventiladores, nem oxigénio"

Apesar de já ter tomado a primeira dose da vacina contra a Covid-19, Ana Dionísio, que está há nove anos na Índia, tem receio de ser infetada e sente-se encurralada pela suspensão das viagens.

Portuguesa na Índia: “Não há camas, nem ventiladores, nem oxigénio"

Uma portuguesa que vive há nove anos na Índia descreveu, esta segunda-feira, à TVI 24, o caos que vê em seu redor e em que milhões de pessoas vivem devido à pandemia da Covid-19.

De acordo com Ana Dionísio, todos estão a “viver com muita preocupação e muita ansiedade”, neste momento na Índia.

“O sistema hospitalar está a entrar em colapso e o que nós fazemos é precaver-nos e sair o menos possível porque não podemos arriscar a ficar infetados, porque não há nada que possamos fazer”, explicou.

Nas ruas “é muito visível” esse medo. “Há muitas menos pessoas. Os sistemas essenciais, supermercados, mercearias, farmácias, só estão abertos das 7h às 11h. Não estão abertos a mais nenhuma altura do dia, precisamente para que as pessoas saiam o menos possível”, descreveu, acrescentando que esta vaga “é muito mais grave que a primeira”.

“Em fevereiro estávamos convencidos que as coisas estavam no bom caminho até que, em março, a curva disparou novamente e, nesta altura, não se sabe onde é que vai parar […]. Não há camas, não há ventiladores, não há botijas de oxigénio. Está toda a gente preocupadíssima e a sair o menos possível. Eu, por exemplo, saio com duas máscaras e já levei a primeira dose da vacina”, contou, clarificando que as pessoas com mais de 45 anos já são elegíveis e, a partir da próxima semana, as pessoas com mais de 18 também serão elegíveis para levar a primeira dose da vacina.

Apesar de o país estar a vacinar aproximadamente 2,5 milhões de pessoas por dia, de acordo com a portuguesa, isso é “muito pouco para um país tão grande”. “A capacidade de vacinação diária tem de duplicar para achatar esta curva”, especificou.

Ainda durante a mesma entrevista, Ana Dionísio, que já perdeu várias pessoas devido ao novo coronavírus, defende que todos os cuidados são poucos.

“Às vezes não saio durante semanas inteiras. Os meus filhos têm aulas online desde o dia 22 de março do ano passado. As escolas ainda não abriram na Índia. Há crianças que há mais de um ano não têm escola. Nós somos uns privilegiados porque os meus filhos têm computadores para fazer as aulas, mas quantos milhões de crianças deste país não estão a ter escola nenhuma?!”, questionou a certa altura.

Questionada sobre as razões do descontrolo da pandemia, a portuguesa aponta vários fatores: a nova mutação do vírus, as celebrações religiosas, as eleições estatais e ainda o facto de a Índia ser um país com um índice de pobreza elevado.

“É um país muito crente, muito firmado nas tradições em que, muitas vezes, a religião fala mais alto. Há opções que se tomam partindo do princípio que há uma salvação superior. Além disso, a Índia é um país com uma grande parte da população pobre, portanto, as pessoas também sentem que, ou saem para conseguir alguma espécie de trabalho, ou morrem de fome. Muitas vezes as pessoas têm de pesar qual a melhor opção que podem fazer em cada momento. É um país em que as formas de vida e as convicções são tão diferentes das outras partes do mundo. A dimensão do país é tão grande que as pessoas muitas vezes têm de fazer escolhas que muitas vezes não imaginamos”, disse.

Já sobre a possibilidade de voltar a ‘casa’, perante tamanho descontrolo da pandemia, Ana Dionísio relembrou que não existem viagens diretas da Índia para Portugal e que muitos dos países onde se faz escala estão a “fechar as portas” às pessoas vindas do país asiático.

“A situação tem-se complicado tanto e essa é uma preocupação adicional que eu e todos os meus compatriotas sentimos: não há voos diretos para Portugal. E, nesta altura, os países em que se faz escala estão a fechar as portas às pessoas vindas da Índia. Já não conseguimos sair nem pela Alemanha, nem pela Holanda. Portanto, nesta altura, todos os que podem ficam em casa fechados porque não há grandes soluções para sair da Índia”, recordou, admitindo que se sente “encurrala”.

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