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Operação Marquês: O último dia de uma longa espera

Sete anos de investigação e mais de dois anos de instrução chegaram hoje a uma conclusão, mas não a um fim. Três horas e seis mil páginas depois, a Operação Marquês seguiu para julgamento, mas esvaziada das principais acusações.

Operação Marquês: O último dia de uma longa espera

No Campus de Justiça, as mais de três horas de leitura da decisão instrutória da Operação Marquês pareceram só agradar a advogados e arguidos. Dos 189 crimes apontados pelo Ministério Público resistiram somente 17 ao crivo do juiz Ivo Rosa.

À entrada, ainda a leitura ia a meio, mas quando já se sabia que os arguidos não iriam a julgamento por corrupção, já havia quem se posicionasse à porta do tribunal a manifestar a sua indignação.

"Bandidos", lia-se numa folha A4 que um cidadão exibia estrategicamente frente às câmaras de televisão e que acabou por obter dos fotojornalistas a atenção pretendida. Mais atrás, de olho na porta do tribunal, juntavam-se algumas pessoas que aguardavam o fim da sessão e a saída do arguido mais mediático, José Sócrates.

Quando o ex-primeiro-ministro deixou o edifício, houve mesmo quem não contivesse a revolta nem refreasse a linguagem. A polícia acabou a servir de barreira entre José Sócrates, que falava aos jornalistas que o aguardavam, e um homem que gritava "Ladrão" enquanto se tentava aproximar.

"A tua sorte é que o povo é manso. Mas eu não sou", gritou alguém que levou Sócrates a desviar o olhar na sua direção, mas não a abrandar o passo determinado.

"Nunca vi um ladrão tão bem guardado, até escolta tem" foram palavras que José Sócrates ainda ouviu enquanto saía do Campus de Justiça, sem pressas, mas rodeado por dezenas de jornalistas e alguns polícias, que formaram um cordão à volta do arguido e do seu advogado, Pedro Delille.

O aparato em torno do processo judicial de um dos mais mediáticos da história da justiça portuguesa começou cedo, com diretos para as televisões antes das 08:00, mais de seis horas antes da hora marcada (14:30) para o início da leitura da decisão instrutória.

Dezenas de jornalistas, de meios nacionais e internacionais, juntaram-se logo pela manhã à porta do Campos da Justiça. Foram montados toldos, trouxeram-se bancos para os comentadores convidados das televisões, fizeram-se incontáveis diretos.

No outro lado da rua, o aglomerado dos jornalistas despertou a atenção de populares e funcionários das empresas próximas, que nas varandas aproveitaram para tirar fotografias ao momento da chegada de José Sócrates, que surpreendeu os jornalistas ao chegar pelos elevadores da garagem do complexo.

Alguma confusão já era esperada com a chegada do ex-primeiro-ministro, mas ninguém antecipou que o momento se misturasse com uma manifestação de funcionários judiciais que, indiferentes à agenda mediática, davam voz a reivindicações sindicais ao mesmo tempo que José Sócrates dava voz à sua reivindicação de justiça, mas com as devidas distâncias de segurança, que não se coibiu de pedir repetidamente.

"Eu faço uma declaração, mas gostaria que recuassem, para mantermos o distanciamento, está bem? Se não se importam...", disse o ex-líder do PS aos jornalistas, que quase de seguida acusou de participarem numa "obscena campanha mediática" com o "objetivo de condicionar o tribunal e condicionar a liberdade".

Atrás de si, os manifestantes, de bandeiras na mão", gritavam "Justiça, Justiça", focados nas suas reivindicações laborais e alheios à Operação Marquês.

A agitação mediática acompanhou os intervenientes. Com o início da leitura da decisão os holofotes viraram-se para a sala de audiências, enquanto cá fora os jornalistas aguardavam expectantes e decidiam o melhor posicionamento para as reações.

O frenesim da decisão deu lugar à acalmia. Desmontou-se o aparato mediático e o campus foi ficando vazio, à medida que caía a noite e os jornalistas punham o último ponto final na espera.

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