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Conferência CIP sobre Mulheres e Emprego. "Boa intenção mal comunicada"

A conferência 'As Mulheres e o Emprego: um tema do Homem', promovida pela Confederação Empresarial de Portugal, foi recebida com incompreensão e críticas, após a seleção de um painel exclusivamente masculino. O presidente da CIP explicou a intenção ao Notícias ao Minuto, assumindo um erro de comunicação.

Conferência CIP sobre Mulheres e Emprego. "Boa intenção mal comunicada"

Com a aproximação do Dia Internacional da Mulher, que se assinala a 8 de março, a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) agendou uma conferência, no âmbito do projeto 'Promova', para discutir as comprovadas desigualdades na liderança empresarial. Com moderação de Rosália Amorim, diretora do Diário de Notícias, o painel, intitulado 'As Mulheres e o Emprego: um tema do Homem', é porém composto exclusivamente por homens.

"Por ocasião do Dia da Mulher, a CIP realiza conferência digital onde o palco será de homens. Pretendemos discutir, entre líderes masculinos, o que trava a ascensão de mais mulheres a cargos de gestão", lê-se no programa da conferência, que descreve, ainda, como objetivo "desmaterializar o Dia da Mulher, celebrá-lo como um legado histórico e não como um dia de luta".

As reações de dirigentes políticos, como Pedro Filipe Soares, e outras personalidades, como Susana Peralta, foram de incompreensão e crítica, acusando-se a confederação de "machismo".

Ao Notícias ao Minuto, o presidente da CIP, António Saraiva, explicou que a intenção deste painel se alinha com a "preocupação" da CIP em "promover boas práticas de igualdade de género", objetivo que é génese do projeto 'Promova', este ano na sua segunda edição.

"Pedi às mulheres da CIP, responsáveis dessa área, para desenvolverem um programa que no âmbito do ‘Promova’ pudesse ser de alguma maneira disruptivo e a maneira que me sugeriram e que aceitei, como presidente da CIP, foi pôr responsáveis de empresas mais emblemáticas a dizerem o que estão a fazem em prol deste desafio da sociedade", justificou.

"Foi esse o desafio que foi lançado, foi isto que foi desenhado, mas com o objetivo de nos dizerem o que estão a fazer", sustentou António Saraiva, indicando que a ideia não era fazer um debate, mas sim colocar "homens deste nível de responsabilidade a discutir o que as suas organizações estão fazer" para promover a igualdade de género dentro das suas empresas. "Não é para eles dizerem qual é o papel da mulher na sociedade, é dizerem o que é que estão a fazer nesse sentido. Claro que foi mal entendido", assumiu António Saraiva.

Questionado sobre a unilateralidade da discussão, ainda que nesses termos, o presidente da associação de empregadores defendeu a ideia inicialmente proposta. "A crítica que se faz à sociedade, basta olhar para os indicadores, é que os homens é que são preponderantes. [A ideia era questionar] 'Então digam lá meus senhores, neste desafio que têm pela frente, no sentido de desenvolver corretas metodologias, o que é que estão a fazer nesse sentido'. Escalpelizar o que é que está a ser feito no sentido correto. Dir-me-á: então mas e pôr mulheres a dizer o que sentem nas suas organizações? Certo. Mas o objetivo aqui era aquele, (...), sem qualquer intenção discriminatória, obviamente".

"Temos um longo caminho pela frente, temos que adotar boas práticas", defendeu, ainda, António Saraiva, sublinhando que "foi este e só este o sentido" e que "foi mal percecionado".

Em relação à opção de comunicação, colocando o ónus de uma discussão afeta às mulheres numa perspetiva masculina, o presidente da CIP assumiu o erro. "Percebo perfeitamente e obviamente todos aprendemos. De boas intenções está o inferno cheio, como se diz, mas foi uma boa intenção mal comunicada".

Sobre a possibilidade de alterar o atual formato da conferência, António Saraiva admitiu discutir o assunto internamente. "Temos que ser sensíveis ao que a realidade nos demonstra. Temos que ser sensíveis àquilo que escutamos e às opiniões que vamos ouvindo. Não vou dizer que vou manter, não tenho essa teimosia de persistir, se percebemos que a comunicação não foi a melhor, temos não só que tentar alterar, como eventualmente, discutir melhor o sentido que se pode dar à questão", disse.

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