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Entre-os-Rios. Famílias lançam resposta social para violência doméstica

O lançamento de casas-abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica é a próxima aposta da associação representativa das famílias enlutadas pelo colapso da ponte de Entre-os-Rios, avançou hoje à agência Lusa o atual presidente da estrutura.

Entre-os-Rios. Famílias lançam resposta social para violência doméstica
Notícias ao Minuto

05:00 - 02/03/21 por Lusa

País Entre-os-Rios/20 anos

Segundo Augusto Moreira, trata-se de uma resposta similar à que a Associação de Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios (AFVTE-R), agora instituição privada de solidariedade social, dá atualmente a menores em risco.

Para receber e cuidar de crianças e jovens encaminhados pela comissões de proteção e tribunais de menores, a AFVTE-R criou a instituição Crescer a Cores, com instalações em Oliveira do Arda, Raiva, a zona onde residiam 34 das 59 pessoas que morreram ao princípio da noite de 04 de março de 2001, na sequência da queda da ponte de Entre-os-Rios que ligava Eja (Penafiel, Porto) a Sardoura (Castelo de Paiva, Aveiro).

"Como não podemos estar parados e os desafios são constantes, vamos criar casas-abrigo para vítimas de violência doméstica", com uma resposta "inovadora", possibilitando que as pessoas acolhidas "tenham a sua própria autonomia", afirmou o dirigente.

E sintetizou: "Aquilo que fazemos um bocadinho com os jovens é que o vamos fazer com os mais adultos, com as pessoas vítimas de violência doméstica".

A aposta da AFVTE-R em respostas sociais menos tradicionais no quadro de atuação das instituições de solidariedade inclui ainda um gabinete que presta apoio psicológico regular a duas dezenas de pessoas.

Tudo isto é, no dizer de Augusto Moreira, uma forma que as famílias das vítimas encontraram de retribuir à sociedade o apoio recebido aquando da tragédia.

"Era importante mostrar ao país que conforme foram solidários connosco, também o poderíamos ser", frisou o dirigente associativo.

A AFVTE-R abalançou-se ao projeto para menores em risco com donativos reunidos em todo o país.

A estrutura, montada em edifício construído expressamente para esse fim, integra um total de 21 profissionais, segundo a diretora técnica, Marlene Gomes.

Atualmente, estão na instituição 16 menores, com idades entre os 10 e os 18 anos.

Cerca de 90% da despesa corrente da instituição é suportada pela Segurança Social e o resto é angariado AFVTE-R, segundo Augusto Moreira, sendo que as "apostas difíceis" da associação passam sempre por isentar os beneficiários de qualquer comparticipação.

Neste quadro, Augusto Moreira reivindica apoios da Câmara Municipal de Castelo de Paiva e da Comunidade Intermunicipal do Vale do Sousa até porque, como explica, pretende melhorar a resposta aos jovens, corresponder aos pedidos em espera para apoio do gabinete de psicologia, além da consumar a resposta para vítimas de violência doméstica.

"Estamos à espera que eles se decidam e nos respondam ao pedido de financiamento que solicitamos", declarou.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva e da Comunidade Intermunicipal do Vale do Sousa, Gonçalo Rocha, disse que os fundos disponibilizados para investimento social na região "está mais direcionado para a terceira idade e para ampliação de instalações", mas deixou à AFVTE-R a mensagem para "não desistir".

"Espero e desejo que no âmbito deste Quadro Comunitário de Apoio possa haver uma janela de oportunidade. Não digo que vai ser amanhã ou depois, mas, a qualquer momento pode surgir. A mensagem é mesmo não desistir", declarou o autarca de Castelo de Paiva.

A AFVTE-R foi constituída na sequência do colapso da ponte de Entre-os-Rios (Ponte Hintze Ribeiro), ocorrida às 21:10 de 04 de Março de 2001, que provocou a morte de 59 pessoas que seguiam num autocarro e três automóveis.

Converteu-se mais tarde em instituição privada de solidariedade social.

Leia Também: Entre-os-Rios: 20 anos de uma ponte que se desfez e ceifou 59 vidas

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