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Ministro da Defesa prevê menos "calma" no Atlântico

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, previu hoje uma "maior centralidade geopolítica" da região do Atlântico, suspeitando que "a paz e calma das últimas décadas" não continuará a ser tendência nos próximos anos.

Ministro da Defesa prevê menos "calma" no Atlântico

"Temos várias dinâmicas que estão todas a convergir, a acontecer simultaneamente, e todas a apontar para uma cada vez maior centralidade geopolítica do Atlântico e maior disputa do Atlântico. Por isso, a paz e calma das últimas décadas, infelizmente, suspeito que não continuará nas próximas", declarou hoje o ministro da Defesa Nacional. 

Gomes Cravinho falava na iniciativa 'online' organizada pelo Clube de Lisboa, "O Oceano que pertence a todos", que juntou hoje académicos, ativistas ambientais, políticos, militares, líderes e gestores de várias instituições, entre outros, para debater temas relacionados com o mar.

No painel "Por águas (in)seguras", sobre ameaças militares navais e segurança marítima, o ministro endereçou o "novo contexto de segurança no Atlântico", salientando que a região "tem uma das mais importantes zonas económicas do planeta", o que aumenta a presença económica e militar de outros países.

"O Atlântico é provavelmente uma das regiões que é cada vez mais disputada geopoliticamente. E, por isso, as linhas estratégicas de comunicação, sejam elas comerciais ou marítimas, vão sendo progressivamente desafiadas", apontou. 

João Gomes Cravinho apontou para os investimentos militares da Rússia, "que indicam um objetivo de maior presença" na região e para a China, que, de acordo com o governante, está a construir o que será uma das maiores Marinhas do mundo.

Entre as preocupações na região enumeradas pelo ministro e discutidas no painel da conferência, estão a pirataria como ameaça aos fluxos comerciais, principalmente no Golfo da Guiné, o financiamento de terrorismo no Sahel e ainda as alterações climáticas, com consequências para muitas comunidades costeiras.

Para Gomes Cravinho "apenas respostas complexas são capazes de ser eficazes", considerando que tem existido uma "crescente" compreensão política dos países da União Europeia para a necessidade de investimento em segurança marítima.

O ministro falou ainda da criação prevista do Centro da Defesa do Atlântico, nos Açores, que se atrasou devido à pandemia, prevendo a assinatura de um memorando de entendimento entre alguns países ainda no primeiro semestre de 2021.

Participando também no painel, Leendert Bal, Chefe do Departamento de Segurança e Fiscalização da Agência de Segurança Marítima Europeia (EMSA) apontou que as principais ameaças atuais na zona do Mediterrâneo são o tráfico humano, de narcóticos, tabaco e armas e, abordando o tema dos refugiados, considerou importante "ter políticas fronteiriças sem perder a humanidade".

Kaitlin Meredith, coordenadora no Programa sobre Crime Marítimo Global no escritório das Nações Unidas sobre Droga e Crime e ainda Timothy Walker, investigador em Estudos de Segurança, chamaram à atenção para o impacto social das alterações climáticas em comunidades de zonas costeiras, o que pode eventualmente levar à prática de crimes para sobrevivência, como a pirataria. 

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