Meteorologia

  • 27 FEVEREIRO 2021
Tempo
18º
MIN 12º MÁX 19º

Edição

Julgamento de Rui Pinto suspenso. Juíza teve contacto com caso de Covid

O julgamento do Football Leaks foi interrompido esta manhã de quarta-feira, após ter sido anunciado que a mãe de uma juíza do coletivo testou positivo para o novo coronavírus.

Julgamento de Rui Pinto suspenso. Juíza teve contacto com caso de Covid

Cerca de 15 minutos depois do arranque da 27.ª sessão do julgamento, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, o coletivo de juízes interrompeu de forma abrupta a sessão, com a presidente do coletivo, Margarida Alves, a regressar pouco depois para explicar que a audiência teria de ser suspensa, devido à informação recebida de um teste positivo ao vírus SARS-CoV-2 do familiar de um dos juízes.

"Vamos interromper o julgamento para os próximos 14 dias. Não sei quando poderemos retomar, serão depois notificados", declarou a presidente do coletivo de juízes, que tinha duas a três sessões semanais agendadas até 10 de dezembro.

Até esse momento, a sessão tinha ficado marcada pela apresentação de um requerimento da defesa do arguido Aníbal Pinto, ainda antes de a testemunha Pedro Henriques, advogado e antigo colaborador de Nélio Lucas no fundo de investimento Doyen, começar a prestar depoimento, no sentido de impugnar a inquirição.

Em causa, segundo o advogado João Pereira dos Santos, estava uma alegada conversa de Pedro Henriques com o representante legal de Aníbal Pinto num outro processo, João Azevedo, a quem teria sido transmitido "de forma clara e agressiva que acontecesse a Aníbal Pinto o dobro do que lhe está a acontecer". O coletivo de juízes decidiu indeferir o requerimento e abriu caminho à inquirição da testemunha pelo Ministério Público.

De seguida, Pedro Henriques começou por explicar a sua ligação aos factos do processo, que culminaram na alegada tentativa de extorsão à Doyen pelos arguidos Rui Pinto e Aníbal Pinto.

O antigo colaborador do fundo de investimento relembrou que em 2015 "começou a surgir no Football Leaks documentação confidencial da Doyen" e que Nélio Lucas estava a receber e-mails de Artem Lobuzov - que mais tarde se veio a saber ser Rui Pinto --, nos quais seria pedida "uma quantia entre 500 mil e um milhão de euros" para o fim das publicações na Internet.

"Nélio Lucas disse-me 'Podes não acreditar, mas [Artem Lobuzov] disse que isto tem de ser tratado entre advogados e indicou Aníbal Pinto'. Mais tarde pude perceber os motivos", afirmou Pedro Henriques, aludindo à conversa no encontro com Nélio Lucas e Aníbal Pinto na área de serviço da autoestrada A5, em Oeiras, em que o arguido disse que "tinha sido advogado de uma pessoa que tinha retirado dinheiro das Ilhas Caimão": "Havia esta ligação", observou.

Rui Pinto, de 32 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 7 de agosto, "devido à sua colaboração" com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu "sentido crítico", mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

[Notícia atualizada às 12h35]

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Quinto ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download Google Play Download

Campo obrigatório