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Portugueses na Costa do Marfim tranquilos e vigilantes antes das eleições

Os portugueses na Costa do Marfim manifestaram-se hoje tranquilos, mas vigilantes, nas vésperas das eleições presidenciais de sábado, sobre as quais paira uma ameaça de boicote e receios de regresso da violência ao país.

Portugueses na Costa do Marfim tranquilos e vigilantes antes das eleições

Cerca de 7,5 milhões de costa-marfinenses vão no sábado às urnas numa eleição marcada por receios de regresso da violência e que deverá ser boicotada pela oposição, que contesta a recandidatura do Presidente cessante, Alassane Ouattara.

Desde agosto, altura em que Ouattara anunciou a sua recandidatura, vários incidentes e confrontos causaram já cerca de 30 mortes, reforçando os receios de uma escalada de violência étnica, dez anos após a crise pós-eleitoral de 2010 de que resultaram 3.000 mortos.

"Até ao momento não existem grandes problemas, há pontualmente um problema ou outro, mas estamos tranquilos, obviamente com muito cuidado", disse à agência Lusa, por telefone a partir de Abidjan, o empresário português Artur Cima, a residir no país desde 2014.

Artur Cima é um dos portugueses designados para fazer a ligação entre a comunidade, de cerca de 300 pessoas, e a embaixada de Portugal em Dacar, no Senegal, que tem a jurisdição da Costa do Marfim.

O empresário português acredita que as eleições se "vão desenrolar com normalidade", estimando que sejam ganhas pelo atual chefe de Estado, Alassane Ouattara.

"A população portuguesa obviamente está na expectativa. É normal. Os operadores económicos portugueses também e temos tomado todas as precauções devidas neste contexto", nomeadamente evitar zonas de aglomeração, reduzir as deslocações e guardar comida e dinheiro suficiente para 15 dias, disse.

Questionado sobre os receios de que possa acontecer uma situação de violência semelhante à ocorrida em 2010/2011, Artur Cima disse não acreditar nessa possibilidade.

"Neste momento, depois de um período de estabilidade de 10 anos e de grande crescimento económico de que a população, em geral, beneficiou, toda a gente tem algo a perder", disse.

"E quando se tem algo a perder, pensa-se duas vezes antes de mergulhar numa crise, seja institucional, seja política ou social. O que vai existir é o 'normal' dentro de um período eleitoral", acrescentou.

"Sabemos que vai haver escaramuças, um ou outro autocarro incendiado, a oposição vai tentar boicotar as eleições, mas isto vai ser até ao dia da votação e à divulgação dos resultados, mas depois as eleições passam e a vida continua", disse.

O economista sublinha que "o pomo da discórdia" é o terceiro mandato do atual presidente que a oposição considera inconstitucional, mas lembra que Alassane Ouattara detém o "monopólio dos meios do Estado".

"Controla completamente o exército e controla indiretamente o poder económico. A população que detém a economia, o comércio e o dinheiro ganhou muito nestes anos e não vãi querer deitar tudo a perder", disse.

No mesmo sentido, o presidente da Câmara de Comércio Luso-Marfinense, Tiago Garcia Domingues, deu à agência Lusa testemunho da tranquilidade entre os portugueses residentes na capital económica da Costa do Marfim.

"Estamos tranquilos. Claro que estamos preocupados e a analisar a situação a cada dia. Temos contacto permanente com a embaixada que nos põe a par de todas as informações. Existe alguma tensão, mas não é nada de especial ou alarmante", disse.

Por agora, sublinhou este português, a comunidade "faz a sua vida normal" e de acordo com as instruções das autoridades.

"Claro que está na memória de toda a gente o que se passou há 10 anos, mas na altura havia muitos partidos, muita oposição. Neste momento, dos quatro candidatos validados, só dois aceitaram participar na corrida. As coisas estão calmas, pacíficas e não vale a pena criar alarme", disse.

De acordo com Tiago Garcia Domingues, a União Europeia e as embaixadas, nomeadamente a da França, "têm um esquema de evacuação muito bem montado", se se revelar necessário.

"As entidades internacionais também tiraram uma grande lição do que se passou em 2010 e agora também se preveniram muito mais cedo", considerou.

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