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Ameaças a deputadas. Marcelo pede "tolerância zero" contra racismo

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que os "democratas devem ser firmes nos seus princípios".

Ameaças a deputadas. Marcelo pede "tolerância zero" contra racismo

O Presidente da República reagiu, esta quinta-feira, às alegadas ameaças da extrema-direita a dez cidadãos portugueses, entre os quais três deputadas da Assembleia da República. Em declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que os "democratas devem ser firmes nos seus princípios", o que significa uma "tolerânica zero em relação àquilo que é condenado pela Constituição".

Para o chefe de Estado, a sensatez é outra qualidade que deve ser aplicada nesta situação, o que se traduz em "estar atento às campanhas e às escaladas que é fácil" ocorreram quando se está a falar sobre "temas sensíveis na sociedade portuguesa". 

O Presidente da República também apelou ao "respeito e apoio" à investigação que está a ser levada a cabo pelo Ministério Público (MP) a propósito do caso, e, por fim, pediu inteligência na resposta a este tipo de atos. Ou seja, "não fazer aquilo que quem promove esse tipo de escalada pretende atingir - a criação de um clima emocional de clivagem na sociedade portuguesa". 

Ainda assim, Marcelo Rebelo de Sousa frisou que "é tão condenável uma atuação racista que tenha contornos criminosos contra deputados como contra qualquer outro cidadão português. Admitindo, no entanto, que é "evidente" que quando se fala de pessoas que desempenham em cargos políticos que o tema ganha "uma maior notoriedade", o Presidente reiterou: "Não há cidadãos de primeira e outros de segunda".

Esta quinta-feira, recorde-se, uma carta aberta de várias associações e de coletivos de afrodescendentes e ciganos exigia aos responsáveis políticos que combatam o racismo e o crescimento da extrema-direita em Portugal, e que demonstrem solidariedade às vítimas de ataques raciais. 

A iniciativa, com o nome 'O silêncio é cúmplice', pede que os responsáveis políticos e instituições "acionem os mecanismos processuais para combater o racismo e o crescimento da extrema-direita", e que deem "um sinal inequívoco e público sobre a inaceitabilidade de atos e organizações políticas e partidárias racistas".

A carta, enviada à Lusa pelo Movimento Negro Portugal, pede ainda que estes "demonstrem a sua solidariedade para com as vítimas destes ataques".

"A negação e inação sistemáticas é o leito da impunidade do racismo que tem escalado para níveis a que já nos tínhamos desabituado. As nossas vidas importam. O silêncio das instituições é cúmplice", realça o documento enviado ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa, entre outras responsáveis políticos.

A iniciativa, que junta 34 grupos antirracistas de vários pontos do país, como a SOS Racismo, Movimento Negro, AfrolisDjass, Consciência Negra, Femafro ou Aurora Negra, destaca que, "no curto espaço de quatro semanas, a sociedade portuguesa foi palco de manifestações racistas", defendendo que esta escalada exige "uma resposta célere e um posicionamento explícito das entidades competentes num Estado de direito democrático".

A missiva refere ainda que no sábado, em frente à sede da associação SOS Racismo, em Lisboa, houve "uma parada de um grupo neonazi, de rosto tapado e tochas", e que perante a "escalada dos ataques" não houve "qualquer demonstração institucional pública de repúdio".

O documento lembra também que após o "assassinato brutal" do ator Bruno Candé "às mãos de um ex-combatente da guerra colonial" não houve "uma declaração institucional de pesar e comprometida com o antirracismo".

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