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Ultrapassagem de sinal vermelho? IP não confirma como causa do acidente

A Infraestruturas de Portugal (IP) não confirma a ultrapassagem de um sinal vermelho e remete conclusões sobre as causas do acidente ferroviário com um comboio Alfa pendular em Soure para a "investigação" que ainda está em curso.

Ultrapassagem de sinal vermelho? IP não confirma como causa do acidente

O presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Laranjo, deu, esta tarde, uma conferência de imprensa onde falou sobre o acidente ferroviário em Soure que, na passada sexta-feira, fez dois mortos. Quanto aos feridos, estes "mantêm-se com uma situação estável e a evoluir favoravelmente", disse,  deixando ainda uma palavra à Proteção Civil pelo trabalho realizado. 

O responsável assegurou que está a ser feita uma "investigação interna" ao acidente, bem como se mantém em colaboração com o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF).

"A linha do Norte, e particularmente este troço, está equipada de sistemas tecnologicamente avançados dotados de mecanismos modernos de segurança que, infelizmente, não impediram a ocorrência deste acidente", garantiu.

Quanto às conclusões já divulgadas pela comunicação social, e que deram conta da ultrapassagem de um sinal vermelho pelo veículo de manutenção, António Laranjo considerou que, "neste momento, não nos devemos pronunciar quanto às causas do acidente, dado que o mesmo se encontra em investigação".

Contudo, "estando a ser veiculada, nos órgãos de comunicação social, informação que não é correta relativamente ao não cumprimento por parte da IP das recomendações dos GPIAAF emanadas em relatório para o incidente em 2016 - na estação Roma-Areeiro - queremos aqui afirmar que a IP deu cumprimento a todas as recomendações emanadas por aquela entidade que se mostraram de implementação imediata e tem vindo a promover os procedimentos necessários para a execução das restantes", esclareceu. 

Conclusões e recomendações sobre Roma-Areeiro

A diretora de segurança da IP, Luísa Garcia, tomou a palavra para explicitar as recomendações do relatório do GPIAAF em relação a este incidente, ocorrido em 2016, recusando que os avisos do gabinete tenham sido ignorados pela empresa.

"Sobre a recomendação número 12, relativa à aptidão dos trabalhadores, devo dizer que todos os trabalhadores com função de condução dos veículos motorizados especiais têm carta de maquinista", sendo que a IP "administrou 18 mil horas de formação aos nossos agentes de condução". 

Mais acrescentou que "o programa e os conteúdos para habilitação de condução destes veículos" - onde se inserem os veículos de conservação de catenária (VCC) - "estão estabelecidos num documento regulamentar do IMT". A IP "é uma entidade certificada pelo IMT para as questões de formação - nomeadamente esta - sendo a verificação do conhecimento dos candidatos a maquinistas efetuado pelo IMT". 

O maquinista é "sempre acompanhado por outro trabalhador que tem a habilitação de maquinista, que é uma formação mais abrangente que de agente de acompanhamento", sendo assegurado pela empresa que é sempre "um segundo maquinista que acompanha o primeiro", salientou Luísa Garcia. 

Quanto às tarefas em simultâneo na função da condução, a responsável referiu que a IP assegura "que a tripulação  - maquinista e agente de acompanhamento - não têm outras tarefas durante o período em que estão em condução dos veículos".

A expedição do veículo só é garantida a partir de uma estação quando todo o itinerário está livre (Luísa Garcia, diretora de segurança da IP)Já em relação à circulação e às condições de circulação do veículo, a empresa sublinha que "sempre cumpriu todas as regras estabelecidas nos princípios de segurança do sistema ferroviário, sendo que a expedição do veículo só é garantida a partir de uma estação quando todo o itinerário está livre" e não existe qualquer veículo em frente a esse até à estação seguinte.

As comunicações entre os veículos e os centros de comando foram outros dos temas explicitados por Luísa Garcia, com a responsável pela segurança da IP a esclarecer que foram "terminados com sucesso os testes à solução" de comunicação entre ambos, tendo, contudo, o plano de implementação tendo sofrido "um pequeno atraso" devido à pandemia da Covid-19. 

Ainda sobre a comunicação das equipas, "a IP elaborou um procedimento novo onde reviu todos os seus protocolos de comunicações" e "estabelece as regras de atuação e de adequação dos seus colaboradores". Estas são "a base dos conteúdos de formação". 

Sistema CONVEL 

O vice-presidente da Infraestruturas de Portugal, Carlos Fernandes, falou, na mesma conferência, sobre a tecnologia CONVEL, "fiável e muito segura", usada em Portugal desde 1993. O sistema permite "proteger os comboios de eventuais erros do maquinista, por exemplo, a passagem do sinal vermelho ou um troço em que o comboio não deva ultrapassar os 100kms/h", este "substitui-se ao maquinista e trava ou abranda"Passados 27 anos, ainda não está concluída a instalação quer da sinalização quer do CONVEL em toda a rede nacional (Carlos Fernandes)"Passados 27 anos", acrescentou, "ainda não está concluída a instalação quer da sinalização quer do CONVEL em toda a rede nacional", frisou. Nas linhas sem CONVEL, a segurança é "alta", com a segurança a ser um "valor primordial" do grupo. 

"Estamos perante uma tecnologia que está relativamente ultrapassada, mas é a que nós temos instalada na rede e é com essa que temos de continuar a conviver nos próximos anos", destacou também Carlos Fernandes. 

[Última atualização às 16h05]

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