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Ministra da Cultura lamenta "profundamente" morte de João de Almeida

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou hoje "profundamente" a morte do arquiteto e pintor João de Almeida, cofundador do Movimento da Renovação da Arte Religiosa, que "marcou indelevelmente a arquitetura e a visão das artes num Portugal".

Ministra da Cultura lamenta "profundamente" morte de João de Almeida

O arquiteto e pintor João de Almeida morreu hoje, em Lisboa, aos 92 anos, disse à agência Lusa fonte da Fundação Medeiros e Almeida.

Num comunicado hoje divulgado pelo Ministério da Cultura, Graça Fonseca lamenta "profundamente" a morte de João de Almeida, recordando que este, "com os arquitetos Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira, fundou o Movimento de Renovação da Arte Religiosa (MRAR), ativo nos anos 1950 e 1960, que marcou indelevelmente a arquitetura e a visão das artes num Portugal muito marcado pelos modelos impostos pelo Estado Novo".

Graça Fonseca lembra que João de Almeida "dedicou o seu percurso profissional, sobretudo, à arquitetura e também à pintura, cujos cursos começou a frequentar na Escola de Belas Artes de Lisboa".

"O seu percurso na arquitetura passou pela assinatura de inúmeros projetos, na sua maioria, na área da Grande Lisboa, passando pela reabilitação dos Paços do Concelho de Lisboa, pela renovação do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) e pela reconversão do Convento das Bernardas. O legado do artista perpetua-se agora através da criação das suas obras", refere a ministra, que envia "sentidas condolências" à família e amigos de João de Almeida.

O arquiteto tinha sido internado na madrugada de domingo, no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, onde veio a falecer na madrugada de hoje, indicou fonte da Fundação Medeiros e Almeida, de cujo conselho de administração o arquiteto fazia parte. De acordo com mesma fonte, João de Almeida foi vítima de várias complicações de saúde.

Nascido em Lisboa, João Paiva Raposo de Almeida foi ordenado padre no Seminário dos Olivais, mas essa vocação foi preterida a favor da arquitetura e da pintura, que estudou depois na Escola de Belas Artes de Lisboa e na Escola do Porto.

Fez também estágios nestas áreas, na Suíça, Alemanha e Barcelona.

Ainda estudante, esteve ligado ao Movimento de Renovação da Arte Religiosa, em cuja fundação participou, conjuntamente com Nuno Teotónio Pereira, Nuno Portas e outros criadores, e a sua tese de arquitetura foi o projeto da Igreja Paroquial de Paço de Arcos.

Também é da sua autoria o projeto da Igreja de Moscavide, com uma fachada cerâmica de Cargaleiro, peças escultóricas de Lagoa Henriques, e pictóricas de José Escada.

Ao longo de décadas, foi coautor de numerosos projetos no âmbito da sua sociedade de arquitetos, assinando, entre outros, o de um condomínio privado no Centro Histórico de Lisboa, na zona da Academia das Ciências, a que, em 1990, foi atribuído o Prémio Valmor.

Para a Expo'98, foi coautor do projeto do edifício administrativo, galardoado com uma menção honrosa do Prémio Valmor.

Na Fundação Medeiros e Almeida João de Almeida exerceu os cargos de administrador e de consultor museográfico.

Antes de optar pelos estudos de arquitetura, cursou pintura, na Escola de Belas Artes de Lisboa e, na área do desenho, foi discípulo dos mestres Leopoldo de Almeida e, depois, de Lagoa Henriques.

Tinha ainda sido discípulo do professor Frederico George, que, na década de 1950, abria as portas do seu atelier a jovens que, à margem da escola, quisessem iniciar-se na pintura.

Décadas mais tarde, dedicou-se ao desenho e à pintura a pastel seco, sobre papel, executando peças de grande formato, predominantemente a preto e branco, em que a temática era dominada sobretudo pela paisagem da orla costeira portuguesa, com árvores, grandes pinheiros dobrados pelo vento, falésias, mar e nuvens, como protagonistas.

Na década de 1990, expôs na Galeria Antiks Design, em Lisboa, na Biblioteca Municipal de Ponte de Sor, na ZI-ZI Gallery, Mayfair, em Londres, e na New Age Gallery, em Pequim.

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