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Nos hospitais também há profissionais não clínicos na linha da frente

Há seguranças, gente que trata da lavandaria ou que confeciona refeições na "linha da frente" do combate à covid-19 em todo o mundo e, no Grande Porto, há pelo menos 5.000 "heróis" não clínicos distribuídos por quatro hospitais.

Nos hospitais também há profissionais não clínicos na linha da frente
Notícias ao Minuto

08:54 - 10/04/20 por Lusa

País Covid-19

Joel Pinto, a trabalhar há 17 anos no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, já assistiu a crises relacionadas com a gripe A ou com o ébola, mas garante: "Nunca vi nada como isto". O "isto" é a pandemia de covid-19 que o obrigou a fazer muitas mudanças nos serviços que coordena, nomeadamente na rouparia.

"Começando pelo material de proteção individual que foi distribuído a funcionários, passando pela troca de roupas constante. É tudo novo. Somos nós quem entrega, distribui e recolhe roupas de cama, pijamas para doentes, fardamentos para médicos, enfermeiros e assistentes operacionais, para tudo", contou à agência Lusa o encarregado operacional de Gaia, que tem a seu cargo a rouparia de quatro unidades: o Santos Silva, a maternidade, o hospital de Espinho e o Centro de Reabilitação do Norte localizado em Valadares.

Conta ainda que a roupa é lavada a maior temperatura e que agora o ciclo de tratamento passou de 24 para 48 horas.

Saber que estes "procedimentos apertados e rigorosos" são cumpridos também no Hospital de São João (HSJ), no Porto, sossega José Gomes, auxiliar do serviço de urgência e com experiência em cuidados intensivos.

Entre fardar e desfardar para acompanhar doentes covid-19 entre serviços ao longo de turnos que, "ultrapassam sempre" as sete horas (dia) ou dez horas (noite), acha que se veste e despe entre 15 a 20 vezes ao dia.

"É isso no hospital, mais a limpeza em casa, os banhos de manhã e à noite, a máquina de lavar sempre a trabalhar porque a minha mulher também é funcionária de um lar na Maia. Mas, a motivação tem de existir e existe sempre. Nós corremos riscos, mas há ali pessoas a precisar de nós, sejam os doentes, sejam os médicos e enfermeiros", descreve à Lusa, num relato positivo semelhante ao de Jorge Sousa, diretor do Serviço de Instalações e Equipamentos do HSJ.

"Estamos na linha atrás dos serviços clínicos. Na da frente da logística que permite aos clínicos trabalhar. Estamos sujeitos à infeção e ao contágio. É um desafio muito grande, mas é imprescindível", refere à Lusa.

Jorge Sousa trabalha há 10 anos no HSJ. Para adaptar o espaço às necessidades que uma pandemia obriga teve de adaptar as instalações para a chegada de tendas de campanha e contentores, mudar blocos operatórios, fazer novas marcações, trocar mobiliário, gerir os pontos de ar, montar câmaras de vigilância em locais novos e "inventar" soluções para ligar equipamentos médicos.

"As minhas equipas têm demonstrado disponibilidade total", garante, orgulhoso de todos e muito especialmente dos "pelo menos 50" heróis alocados às áreas de covid-19.

Em Itália, a tradição de aplaudir os profissionais de saúde às janelas tornou-se viral nas redes sociais há mais de um mês. Em Espanha, na semana passada, uma equipa de médicos e enfermeiros aplaudiu em Barcelona as equipas da limpeza, momento transmitido em vídeo que correu além-fronteiras.

Em Portugal, aliás, no Porto, e no HSJ, de acordo com dados disponibilizados, trabalham neste hospital "cerca de 6.000 profissionais de saúde", cerca de 40% não são médicos nem enfermeiros, mas estão igualmente na linha da frente.

Já o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) indicou à Lusa que o seu quadro de pessoal tem 3.806 efetivos, dos quais 1.865 não são médicos nem enfermeiros, e que, diariamente, tem 3.010 pessoas a trabalhar, 1.699 dos quais em tarefas de apoios aos profissionais de saúde.

No Hospital de Santo António, no Porto, que tem muitos dos postos de trabalho a ser assegurados em regime de teletrabalho, há 2.062 efetivos, dos quais 879 não são médicos nem enfermeiros, sendo mais metade desses, 496, assistentes operacionais.

Dizendo que todos são "vitais" para o bom funcionamento do hospital, o responsável pela Logística do Centro Hospitalar Universitário do Porto, que tem todas as áreas não clínicas, adiantou à Lusa que "há muito trabalho invisível" que é feito e que é "fundamental".

Com a alteração substancial de rotinas, métodos e tarefas, Márcio Reis destacou a "entrega e espírito de missão" de todos os profissionais que tem trabalhado "muito", não olhando a fins de semana ou tolerâncias de ponto, para que sejam dadas as respostas necessárias.

Já em Matosinhos, de acordo com a Unidade de Saúde Local que gere o Hospital Pedro Hispano, estão diariamente, e em média, 1.178 profissionais a trabalhar, 576 dos quais noutras funções que não médicas, nem de enfermagem.

Comparando os dados de início de março e abril, os Serviços Hoteleiros, nomeadamente na rouparia e segurança, sofreram um aumento no número de pessoal, passando de nove para 12 e de 16 para 19, respetivamente.

Os trabalhadores de limpeza hospitalar passaram de 88 para 95, tendo metade da equipa alargado o horário para 12 horas diárias e parte dela está sem folgar desde início de março.

A trabalhar há 20 anos como assistente operacional na unidade de cuidados intensivos, Hugo Oliveira contou à Lusa que "muita coisa mudou" com a covid-19, tornando esta situação "absolutamente nova".

Diz que agora tem de se "equipar da cabeça aos pés", mudar de roupa várias vezes ao dia e abordar o doente de maneira diferente. Hugo Oliveira assume que "tudo atualmente demora mais" a fazer.

"Mas, já me consciencializei que tem de ser assim para nosso bem, para o bem do doente e da comunidade em geral", afirmou.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 89 mil. Dos casos de infeção, mais de 312 mil são considerados curados.

Em Portugal, segundo o balanço de quinta-feira da Direção-Geral da Saúde, registaram-se 409 mortes por covid-19, mais 29 do que na véspera (+7,6%), e 13.956 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 815 em relação a quarta-feira (+6,2%).

Dos infetados, 1.173 estavam internados, 241 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e 205 doentes já recuperaram, desde que os primeiros casos foram registados a 02 de março.

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