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"Tem de haver uma prioridade na testagem dos profissionais de saúde"

Bastonária da Ordem dos Enfermeiros diz que existem dois mil enfermeiros em casa "por exposição de alto risco, mas que não foram testados."

"Tem de haver uma prioridade na testagem dos profissionais de saúde"

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros salientou, esta quarta-feira, em declarações à SIC Notícias, que tem de ser dada prioridade na testagem à Covid-19 aos profissionais de saúde "porque se ficarmos todos doentes em casa não vai haver ninguém nos serviços de saúde."

Ana Rita Cavaco sublinhou que tem existido uma subida no número de profissionais de saúde que se encontram assintomáticos e que continuam a trabalhar, tendo, na sua opinião, que dar prioridade a este profissionais.

"O grande problema são os profissionais de saúde assintomáticos. Nos últimos dias temos tido uma escalada de infeção naqueles que estão assintomáticos e continuam a trabalhar. Sabemos que ha muita gente que desenvolve sintomas e os profissionais de saúde tem de ter prioridade nos testes", começou por dizer a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, antes de destacar que existem quase 2 mil profissionais de saúde em casa que não foram testados.

"Isto já foi dito pelas três ordens profissionais, enfermeiros, médicos e farmacêuticos. Nesta fase temos dois mil enfermeiros em casa por exposição de alto risco, mas que não foram testados. Isto é um erro porque significa que temos muita gente em casa que provavelmente está negativa e que até poderia estar a trabalhar e a render os colegas que já estão exaustos e a fazer muitas horas. Temos aqueles que tiveram uma exposição, estiveram assintomáticos e continuam a trabalhar e que até podem estar positivos. Nos últimos dias têm sido verificados muitos casos nestas circunstâncias", atirou.

Questionada sobre se a população irá perceber esta prioridade aos profissionais de saúde, numa altura em que faltam os testes para a Covid-19, Ana Rita Cavaco respondeu: "Acho que a população portuguesa quer ter pessoas, enfermeiros e profissionais de saúde, que cuidem deles porque se ficarmos todos doentes em casa não vai haver ninguém nos serviços de saúde para poder cuidar daqueles que precisam, os Covid-19 e não Covid-19, porque continuam a existir outras doenças. É óbvio que tem de haver uma prioridade na testagem dos profissioanais de saúde", sublinhou.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, que revelou que existem cerca de 43 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, pediu que, pelo menos, os profissionais que estão em contacto com doentes infetados com o novo coronavírus sejam testados.

"Cada profissão terá de dar os seus números, mas só no Serviço Nacional de Saúde, sem contar com privados ou do setor social, temos cerca de 43 mil enfermeiros. Não quer dizer que tenhamos de testá-los todos de uma vez. Aqueles que estão em exposição ao Covid-19 e com doentes infetados não estão a ser testados. No mínimo, estes enfermeiros têm que ser testados. Aliás, isso é o que estar na norma da DGS", vincou, antes de acrescentar:

"Cada um dos hospitais têm um numero de enfermeiros que estão em exposição nos chamados serviços Covid-19. Temos também hospitais que estão fora deste combate ao Covid-19, mas que poderão ter profissionais expostos porque aparecem lá casos, nomeadamente os Institutos Portugueses de Oncologia. Temos nesta situação de pandemia possibilidade de aparecerem casos Covid-19 em hospitais não-Covid-19. O que pedimos é que todos aqueles que tenham uma exposição à doença possam ser testados e isso não está a acontecer."

Ana Rita Cavaco reconheceu ainda que tem recebido queixas de falta de equipamentos de proteção individual, mas atribiu estas falhas ao facto de muitos países estarem também à procura de comprar este tipo de material.

"Continuamos com falta de equipamentos de proteção individual. Todos os dias trabalhamos em conjunto com o Ministério da Saúde e sabemos que é muito difícil estarmos a abastercer-nos no mesmo mercado em que todo o mundo está a tentar abastecer-se. A verdade é que estamos a consumir muito mais deste material do que seria expectável numa situação normal. Estamos numa situação diferente e que nunca vivemos. Estamos a ter falhas, continuamos a receber reports, sobretudo de que é dada uma máscara para os enfermeiros, e outros profissionais de saúde, para um turno de 12 horas. Tudo isto que está a acontecer no dia a dia contraria as normas técnicas que todos temos feito em conjunto com a DGS", concluiu.

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