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IHRU nega demolições de casas habitadas em Setúbal

O Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) reiterou que nunca esteve prevista a demolição de casas habitadas na Quinta da Parvoíce, em Setúbal, enquanto o pároco da Bela Vista reafirmou hoje que há moradores sob ameaça de despejo.

IHRU nega demolições de casas habitadas em Setúbal
Notícias ao Minuto

14:23 - 27/02/20 por Lusa

País Setúbal

O padre Constantino Alves denunciou na segunda-feira a notificação, por edital afixado em diversas construções clandestinas da Quinta da Parvoíce, para que cerca de duas dezenas de moradores abandonassem as casas onde vivem, que iriam ser demolidas.

IHRU disse desde o início do processo que não estavam previstas demolições que envolvessem realojamentos, posição reafirmada em comunicado divulgado na quarta-feira, dia para que estava prevista uma reunião entre representantes do Ministério das Infraestruturas e da Habitação, do IHRU e da Câmara Municipal de Setúbal, para analisar a situação relativa aos terrenos circundantes à Quinta da Parvoíce.

O comunicado do IHRU referiu que "a operação que pretende promover em Setúbal, ao contrário do que tem sido veiculado, não se refere à Quinta da Parvoíce nem envolve a demolição de quaisquer construções habitadas".

"O que está em causa é a demolição de construções precárias, sem segurança estrutural, que estão a ser feitas em terrenos próximos daquela quinta, instáveis e inaptos para construção, que integram a Reserva Ecológica Nacional", acrescentava o documento.

O IHRU adiantou que, "estando em risco a segurança de pessoas e a saúde pública, não pode deixar de tomar as medidas que se revelam necessárias para, em articulação com as demais entidades públicas competentes, conter aquela situação" e reitera que "as intervenções que estão previstas não envolvem o desalojamento de quaisquer famílias".

Confrontado com o comunicado do IHRU, o padre Constantino lamentou que os técnicos daquele instituto não tivessem dialogado com as pessoas e reafirmou que os editais foram colocados em casas habitadas, numa altura em que a maior parte dos moradores estava a trabalhar.

"Há alguma confusão. Os editais do IHRU foram, de facto, colocados em casas habitadas, paredes meias com outras casas em construção. As pessoas decidem estas coisas no conforto dos seus gabinetes e não se apercebem das dificuldades destas pessoas. São pessoas pobres que têm empregos precários, com rendimentos que não dão sequer para pagar uma renda de casa, mas que tentam fazer pela vida e merecem ser tratadas com dignidade", disse à agência Lusa o pároco da Bela Vista.

"Soube que duas técnicas do IHRU voltaram a passar pelo bairro na quarta-feira à tarde, mas, uma vez mais, não falaram com ninguém. Mas agora, o mais importante é concentrar soluções que resolvam o problema destas pessoas", disse Constantino Alves.

O pároco da Bela Vista voltou a recordar que, há cerca de cinco anos, dezenas de famílias que se tinham instalado na antiga fábrica Mecânica Setubalense acabaram por ser realojadas em casas desabitadas do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS), mediante o pagamento de rendas sociais, e defendeu a necessidade de se encontrar uma solução semelhante para os moradores da Quinta da Parvoíce.

Em declarações à agência Lusa na passada segunda-feira, o bispo de Setúbal, José Ornelas, também se afirmou preocupado com a situação dos moradores em causa e defendeu que a "sociedade portuguesa não pode permitir que se coloquem pessoas na rua quando se fazem processos a alguém que trata mal dos cães".

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