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"Mortalidade tem-se mantido relativamente baixa para um vírus novo"

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, fez esta sexta-feira um novo balanço sobre o coronavírus que já chegou também ao Reino Unido, Rússia e Suécia.

"Mortalidade tem-se mantido relativamente baixa para um vírus novo"

Em conferência de imprensa relativa ao surto de pneumonia por novo Coronavírus (2019-nCoV), a diretora-geral de Saúde Graça Freitas, admitiu que após a declaração, pela OMS, do estado de emergência de saúde pública internacional, o "nível de alerta de prontidão, obviamente, aumentou [assim como] a nossa necessidade de reforçar a capacidade de resposta dos serviços, com medidas de saúde pública, de tratar casos e depois encontrar contactos possíveis desses casos".

"Temos planos de contingência" tendo em conta "um determinado cenário em função da informação que vamos tendo", afirmou Graça Freitas,

Apesar de reconhecer que "há um número crescente de países em que a doença tem sido detetada e em alguns desses países tem havido transmissão secundária", a DGS sublinhou que "não vimos surtos em outros países, até à data todos os países receberam casos importados e têm conseguido conter a doença".

Mas há mais boas notícias. "Na China, alguns doentes começaram a ser curados" e "outra boa notícia" é que "a taxa de mortalidade têm-se mantido relativamente baixa para um vírus novo". Por isso, "resta-nos continuar a acompanhar esta situação e preparar a fase seguinte de contenção, se for necessário".

Questionada sobre medidas que estejam a ser adoptadas nos aeroportos nacionais, Graças Freitas explicou que o "rasteio deve ser feito à saída e a China tem feito tudo para conter este surto". É, aliás, "na China que estão a ser aplicadas a grandes medidas de contenção".

Rastreio a portugueses que vivem na China

Já sobre os portugueses que vivem na China e serão repatriados para Portugal nos próximos dias, a diretora-geral de Saúde adianta que a informação sobre os mesmos são escassas.

"Tudo o que nós sabemos até à data é que os passageiros vão chegar a uma determinada hora, num determinado dia, a um aeroporto em França. É isso que está previsto e o Ministério dos Negócios Estrangeiros está a gerir isso que é uma operação de intensa complexidade pelos vários contornos, não só da saúde, mas também diplomáticos. Vamos deixar essas coisas com o recato necessário", pediu, acrescentando que a vida desses cidadãos será passada a pente fino.

"Essas pessoas são especiais, estiveram ou vão estar no epicentro desta nova doença mais de 30 dias. Estão numa cidade onde começou uma epidemia. Estão já sujeitas a quarentena, portanto, terão também algum factor de stress adicional [...]. Quando chegarem, e eu quero ser completamente transparente pois não é fácil ter informação sobre estas pessoas que estão na China que nos permita perceber melhor coisas tão importantes como por exemplo se pertencem a famílias afetadas, se viviam com outras pessoas, se estiveram expostas ao mesmo tempo de risco. Nós não sabemos, vamos saber isso quando as nossas equipas entrarem em contacto com essas pessoas, no voo de regresso ou já à chegada a Portugal", esclareceu.

Quanto ao rastreio do '2019-nCoV' nos cidadãos repatriados, Graça Freitas diz que pode ser feito de duas formas: com um inquérito epidemiológico ou com um protocolo clínico laboratorial. Tudo vai depender do que as equipas médicas peritas decidirem ao contactarem com estas pessoas. 

Questionada sobre a obrigação de quarentena que está a ser adotada por alguns países, como Espanha e França, mas que não existe na legislação portuguesa, Graça Freitas explicou que os portugueses, depois de devidamente informados, podem ficar em quarentena se assim o aceitarem.

"Estou em querer, não sabendo de cor a legislação de todos os países, que os países que decidem pela quarentena, decidiram porque têm legislação que lhes permite isso. Os países que não têm quarentena em legislação, decidirão em conformidade com o que entenderem. Uma das hipóteses é falar com as pessoas, pedir-lhes o consentimento informado e esclarecido e aceitar ficar em quarentena voluntária", disse, aproveitando para explicar que há dois tipos de quarenta voluntária: a quarentena domiciliária e a quarenta voluntária em instalações que o ministério da Saúde providencia.

Contudo, sublinhou Graça Freitas, "ainda não há certezas se Portugal irá adotar estas modalidades", por isso, em Portugal, "o que o maior número de peritos consultados decidir é o que será feito".

diretora-geral da Saúde indica ainda que o ministério da Saúde disponibiliza instalações "tranquilas e dignas" para que possam estar em "isolamento profilático", desde que aceitem estas condições.

O Hospital Pulido Valente, em Lisboa, e o Hospital Militar, no Porto, serão as unidades com instalações para estes portugueses que regressam da zona de Wuahn.

Outras medidas de contenção em Portugal

Já quanto a outras medidas de contenção para Portugal no geral e, especialmente, nas unidades de saúde, Graça Freitas frisa que, tal como outras doenças que são transmitidas de pessoa para pessoa, principalmente, através de gotículas, como é o caso do coronavírus, há "protocolos de precauções básicas, protocolos de desinfecção, de controlo da infeção".

"Não estamos naquele cenário de um vírus hemorrágico como o ébola mas, obviamente, tem de haver alguma proteção. O doente, por exemplo, segundo as nossas normas, deve usar sempre uma máscara para impedir que eventuais vírus saiam e sejam expelidos e cheguem a outra pessoa", revela.

Já os profissionais de saúde "têm de estar protegidos com o seu equipamento, mas não é mais do que aquele que se usa por exemplo quando se lida com uma tuberculose", segundo Graça Freitas.

A diretora-geral da Saúde fala ainda da necessidade de desinfectar as superfícies e as mãos, tal como se faz perante outros vírus, só que mais vezes e com mais sabão ou solução alcoólica.

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