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Coronavírus. "Temos de esperar o melhor e estar preparados para o pior"

Perante o surgimento do primeiro caso suspeito do ‘2019 - nCoV’, o Notícias ao Minuto falou com o pneumologista e consultor da Direção Geral da Saúde Filipe Froes para esclarecer todas as dúvidas relacionadas com esta pandemia.

Coronavírus. "Temos de esperar o melhor e estar preparados para o pior"

Depois de o novo coronavírus ter chegado à Europa, onde já estão confirmados dois casos em França, o medo do ‘2019 - nCoV’ chegar a Portugal é cada vez maior.

O vírus, que já ultrapassou as fronteiras da China, onde começou e já matou 54 pessoas, é da mesma espécie dos que, em 2002 e 2012 mataram mais de 800 pessoas em cada estirpe.

Perante o surgimento do primeiro caso suspeito da pandemia em Portugal, o Notícias ao Minuto, falou com o pneumologista e consultor da Direção Geral da Saúde Filipe Froes para esclarecer todas as dúvidas relacionadas com este vírus.

O médico português começou por explicar que, perante as suspeitas do primeiro caso de ‘2019 - nCoV’ em Portugal, é tempo de tomar precauções e seguir as recomendações da Direção Geral da Saúde (DGS) e não entrar em "alarmismos".

"Nós estamos, neste momento, num momento inicial de avaliação em que temos que esperar o melhor e estar preparados para o pior. É isso que a Organização Mundial de Saúde nos ensina. Temos de estar atentos e agir com racionalidade, sem indiferença nem alarmismo", disse.

Neste momento ainda falta responder a muitas questões relacionadas com este coronavírus que surgiu em dezembro na província de Wuhan. Sabe-se que foi transmitido através de um animal (possivelmente vivia num morcego e teve como hospedeiro um réptil) e que já há casos de transmissão entre seres humanos, mas pouco mais se sabe e é pode ser por isso que ainda é tão letal.

"Para o vírus da gripe o campeonato já está a decorrer, para este [coronavírus] estão a começar as primeiras jornadas, está a começar a conhecer o adversário, ele está a adaptar-se a nós, nós estamos a conhecê-lo ele pode eventualmente transformar-se num vírus que se dissemina com muita facilidade, mas que não é violento, ou pode evoluir para um vírus que se transmite com alguma dificuldade mas extremamente violento", explica Filipe Froes ao Notícias ao Minuto.

E a que conclusões é importante chegar para combater este vírus? Segundo o pneumologista, é ainda necessário saber "o grau de ocorrência e a eficácia de transmissão entre seres humanos, quem são as pessoas com maior risco de desenvolver as doenças, as características epidemiológicas do vírus, qual o período de incubação da doença e averiguar, dentro das pessoas com maior risco de infeção, quais as que têm maior risco de ter problemas mais graves".

Só depois de se conseguir responder a estas questões é que o controlo deste vírus será mais eficaz. O que, para o médico, não vai demorar a acontecer.

"Temos de viver isto com a naturalidade e racionalidade que a situação impõe. Agora conseguimos estas respostas todas em poucas semanas. Eu sou médico há 35 anos, há 10 anos estas respostas demoravam meses, há 20 anos estas respostas às vezes demoravam anos ou nunca se sabia. Houve uma evolução enorme que faz com que nós tenhamos as respostas que precisamos em poucas semanas. É claro que, ao ritmo que vivemos hoje em dia, algumas semanas parece muito tempo, mas antigamente ou não se conseguia responder, ou demoravam anos", explica.

Além disso, relembra Filipe Froes, Portugal não está sozinho na luta contra este vírus com nome de coroa (corona, em latim é coroa).

"Portugal está integrado num conjunto de países europeus que têm uma resposta conjunta, nós não estamos isolados a responder a esta ameaça e o facto de estarmos integrados em estruturas internacionais e mundiais de vigilância, de combate e de prevenção também é uma garantia que nós todos estamos mais protegidos", recorda.

De relembrar ainda que não há um medicamento específico para o ‘2019 - nCoV’. "Há alguns ensaios com fármacos experimentais [que não estão disponíveis em Portugal] que terão de ser testados para avaliar a sua efetividade e segurança, porque não podemos estar a dar um medicamento que tem mais riscos que a própria doença", explica.

Em jeito de conclusão, Filipe Froes relembra que se sentir algum sintoma relacionado com este vírus, ou seja, febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias, deve ligar para a Linha de Saúde Pública (808 211 311) antes de se dirigir a uma unidade de saúde.

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