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"Mataram o meu filho à sede e ao abandono"

Mãe de Hugo Abreu escreveu uma mensagem no Facebook onde deixou um "grito de revolta".

"Mataram o meu filho à sede e ao abandono"

A mãe de Hugo Abreu, jovem que morreu durante um curso dos Comandos, escreveu, esta terça-feira, no Facebook, uma mensagem onde deixou um "grito de revolta e abandono ao meu País, que se chama Portugal!"

A mensagem de Ângela Abreu começa por explicar um pouco do que foi o percurso do seu filho. "Por sua opção própria, decidiu ir servir sua Pátria, quis entrar para o serviço militar não obrigatório, entrou antes da idade que o exército determina", escreveu, acrescentando que Hugo Abreu "fez juramento de bandeira na ilha da Madeira, foi sempre determinado e justo, quis assinar contrato pelo Exército na Madeira, mas sempre com um objetivo: entrar numa força especial".

O jovem entrou para o regimento de Comandos para fazer a formação, "fez todos os exames e exercícios que são duros e rigorosos", "ficou apto para o curso" e esteve "em formação três semanas". "Semanas essas que deu para ver as capacidades dos instruendos pelos ditos formadores, para depois fazerem o que fizeram!", frisa a mãe.

A 3 de setembro apresentaram-se e "já nesse dia começou o inferno". "Nessa noite infernal, já com altas temperaturas, fizeram a vida negra ao meu filho Hugo Abreu e aos seus Camaradas. Eu, como mãe do Hugo Abreu, com todo o direito de pensar desta forma, que tudo o que se passou foi tudo premeditado, porque já conheciam muito bem os instruendos!", prossegue. 

"Mataram o meu filho à sede e ao abandono, gozaram da sua força e da sua determinação. O meu filho morreu sufocando de dor e calor e sede dos exercícios exigentes, sem dó nem piedade. Não lhes deram água, deixaram aquele grupo de jovens ao abandono e às exigências do grupo de (formadores). Dizem que foi golpe de calor. É verdade, também ajudou aos assassinos cometerem o crime perfeito! Pois a autópsia revela bem claro desidratação extrema ou severa, chamem o que quiserem!", acrescenta Ângela Abreu.

O "grito de revolta" continua uma vez que "já vai para quatro anos" que "os assassinos estão a solta para matarem os nossos filhos, filhos de Portugal!"

"Mataram o nosso querido filho e a nossa Pátria nos abandonou a nós, Pais. Deixaram a batata quente nas nossas mãos, como [se] nós Pais é que fôssemos os assassínios! Pois se nós Pais tivéssemos matado o nosso querido filho da maneira que os assassínos o mataram, nós estávamos presos logo de seguida [por] ter cometido o assassinato!", considera também.

Deste modo, continua, "Portugal está do lado dos assassinos" que "matam, dão pancadaria e tem tudo gratuito, advogados de defesa pela Segurança Social talvez onde nunca contribuíram com um cêntimo para o País!".

"Pois nós Pais, é verdade, somos de famílias pobres e humildes, mas somos honestos e trabalhadores. Nunca andamos a custa dos contribuintes (Estado)! Nós não estamos a pedir nada, é um direito que nos pertence. Criamos um filho vinte anos e um mês e nove meses no meu ventre, para o assassinarem de um dia para outro!", escreve também a mãe. 

Recorde-se que Hugo Abreu e Dylan Silva morreram em 2016 durante a 'Prova Zero' do curso de Comandos. A TVI24 avança que esta mensagem de Ângela surge depois de o Estado ter suspendido a negociação das indemnizações às famílias dos dois jovens.

Leia Também: General António Martins Pereira assumiu comando operacional do Exército

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