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Saúde é "uma pasta difícil. Não fazia ideia que ia ser tão intenso"

A ministra da Saúde foi a convidada desta segunda-feira de Cristina Ferreira, no programa que preenche as manhãs da SIC.

Saúde é "uma pasta difícil. Não fazia ideia que ia ser tão intenso"

Durante a conversa com a apresentadora, a governante Marata Temido confessou a Cristina Ferreira que não esperava que o cargo que assumiu em outubro de 2018, fosse tão exigente, principalmente, a nível pessoal.

"É uma pasta difícil (...). Não fazia ideia que ia ser tão intenso. Aceitei com a consciência de que temos de estar cá presentes para fazer o melhor pelo nosso país, mas não com a consciência que, do ponto de vista pessoal, ia ser tão exigente e tão intrusivo. A família avisou, teve algum receio", revelou.

Ainda sobre o mesmo assunto, a ministra da Saúde contou que a primeira pessoa a quem disse que tinha recebido um convite para integrar o Governo de António Costa foi ao marido e que este não acreditou no que estava a ouvir. 

"Ele estava em viagem, foi por telefone, achou que estava a ouvir mal. Só conversamos depois na escala seguinte, quando ele aterrou", contou.

Já sobre o convite, assunto sobre o qual não se quis alongar, Marta Temido admitiu que foi "apanhada de surpresa". Apesar disso, a resposta não tardou.

"Estava num projeto de trabalho também muito aliciante no Instituto de Higiene e Medicina Tropical. Num ambiente de academia, muito informal, muito boa onda, com muita possibilidade de contactos com outros países. E há um telefonema a dizer que seria importante haver uma conversa e depois há uma conversa e depois há um 'sim'. Foi um sim relativamente rápido, porque a Saúde é o setor onde eu sempre trabalhei, apesar de me ter licenciado em Direito", esclareceu.

"Agora já não choro"

Já a meio da conversa, Marta Temido foi surpreendida pelo testemunho de uma amiga de escola e emocionou-se. “É muita responsabilidade sabe? Este é um lugar de muita responsabilidade e pensar que muitas pessoas, que gostaram de nós e olham para nós esperam que façamos as coisas bem feitas, é muito pesado”, admitiu.

Ao ver a governante à beira das lágrimas, Cristina Ferreira pergunta se chora. Ao que Marta Temido responde: "Agora já não choro".

"Há muitos dias que são muito duros, depois há muitos dias que são muito bons. Quando tentamos fazer o melhor possível e ouvimos coisas na rua, ou nos jornais, que não têm nada a ver com a nossa maneira de ser e que nós não podemos rebater porque, ao fim ao cabo, é a ministra da Saúde, é um exercício", admitiu.

"É muito importante saber pedir desculpa"

A certa altura, durante a conversa com Cristina Ferreira, Marta Temido recordou um dos momentos mais polémicos da sua carreira como ministra. O momento em que teve de pedir desculpa aos enfermeiros, através de um telefonema direto à bastonária Ana Rita Cavaco, depois de ter afirmado que negociar com os grevistas é privilegiar o criminoso.

"É muito importante saber pedir desculpa e esse foi um momento em que utilizei uma expressão infeliz, que foi muito mal interpretada, que magoou muito as enfermeiras e os enfermeiros portugueses e eu tenho muita consideração por quem os representa e por cada um deles", sublinhou.

"Tendo a achar que a responsável sou sempre eu, sobretudo, o que corre mal""É bastante difícil" gerir 130 mil funcionários

Já no final na entrevista, Marta Temido admitiu que "é bastante difícil" gerir os 130 mil funcionários do Sistema Nacional de Saúde (SNS) porque tem alguma tendência "em não achar que a responsabilidade é de mais alguém".

E o que é que é mais urgente mudar para a ministra da Saúde no SNS? "Os tempos de resposta é a questão mais importante. O SNS está lá mas muitas vezes está mais tarde do que as pessoas precisam, do que desejam, do que aquilo que elas têm paciência para suportar", frisou a ministra.

Já em jeito de conclusão, Cristina Ferreira quis saber, em concreto, se o dinheiro que o SNS vai ter a mais vai resolver muita coisa e de que valores estamos a falar.

"Ajuda, ajuda! Estamos a falar 942 milhões de euros, num Orçamento que tem 10 mil milhões euros. Isso é bom, mas aumenta a responsabilidade. Temos de ser mais criteriosos na forma como vamos o utilizar. O trabalho que temos agora em 2020 é de transformar esse dinheiro naquilo que os portugueses precisam", rematou a ministra.

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