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Investidura de Nyusi. "Estando Portugal, representamos muito bem a UE"

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, desvalorizou hoje em Maputo a ausência de líderes europeus na cerimónia de tomada de posse de Filipe Nyusi como chefe de Estado moçambicano.

Investidura de Nyusi. "Estando Portugal, representamos muito bem a UE"

"Estando Portugal, representamos muito bem a União Europeia", disse Augusto Santos Silva questionado pelos jornalistas sobre a ausência de dirigentes europeus na cerimónia, na capital moçambicana.

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente português, é o único chefe de Estado da União Europeia que vai assistir à investidura.

Da lista de presenças presidenciais constam outros dois líderes lusófonos: João Lourenço, presidente de Angola, e Jorge Carlos Fonseca, chefe de Estado de Cabo Verde, que atualmente detém a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), organização que contará também com a participação do secretário-executivo, o português Francisco Ribeiro Telles.

Ruanda, Quénia, Zâmbia, Zimbabué, África do Sul, Botswana, Maurícias completam a lista de chefes de Estado presentes.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, presente na tomada de posse, frisou não estranhar a ausência de chefes de Estado de outros países da União Europeia e acrescentou que a presença do chefe de Estado português tem "um significado óbvio".

Santos Silva disse que Portugal é um país plenamente europeu, que pertence ao Atlântico Norte e que se sente "à vontade" fora da Europa e fora do Atlântico Norte.

"Em todos os lados nós sentimo-nos bem, o que faz de nós um 'pivot' na relação entre a Europa e a América Latina ou Ásia e faz em África, na América Latina ou na Ásia o que todos os africanos, asiáticos, latino-americanos sabem: somos um bom advogado dos interesses deles na Europa", afirmou.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, Moçambique é um país "muito estável" do ponto de vista político, que pôs fim a uma guerra civil "muito dolorosa" e criou um regime parlamentar pluripartidário, apesar de partilhar problemas internacionais.

"Como todos nós, Moçambique também está sujeito às ameaças que nos atingem a todos, à cabeça das quais eu coloco as redes terroristas internacionais que infelizmente também ameaçam o norte de Moçambique, como ameaçam Portugal, a Europa ou o Médio Oriente", disse Santos Silva.

Questionado sobre o estilo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou Moçambique "como segunda casa", o ministro dos Negócios Estrangeiros elogiou a sensibilidade do Chefe de Estado português para assuntos internacionais.

"Eu sou suspeito porque sou um ministro dos Negócios Estrangeiros que tem beneficiado enormemente do apoio, a todos as horas, dos presidentes com quem tive o prazer de trabalhar: primeiro o presidente Cavaco Silva, no fim do seu mandato, e agora o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, cuja sensibilidade para as questões de política externa, cuja capacidade de representar a nação inteira, como é próprio do presidente da República, e cuja capacidade de empatia com todas as pessoas são ativos para a projeção do país", afirmou.

O ato de investidura de Nyusi, para o segundo mandato como chefe de Estado, começa com a leitura do juramento e termina com uma tradicional batida de martelo pela presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro, que confere a posse.

A cerimónia pública no centro da capital deve terminar ao final da manhã.

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