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Combate às notícias falsas é uma luta desigual

O combate às notícias falsas é uma "luta desigual", em que a capacidade de resposta à desinformação é por norma "um processo mais lento e reativo", afirmou o docente de Jornalismo na Universidade de Coimbra João Figueira.

Combate às notícias falsas é uma luta desigual

"Há uma preocupação [com as 'fake news'], mas é uma luta desigual. Neste momento, é uma luta desigual, porque a capacidade de reação à falsidade ou a processos de desinformação é, por norma, um processo mais lento e reativo e, portanto, desigual", disse à agência Lusa João Figueira, um dos coordenadores do livro "Fake News, Redes Sociais e Nova Ordem (Des)Informativa na Era da Pós-Verdade", que é apresentado na terça-feira, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, durante um colóquio internacional sobre o mesmo tema.

Apesar dessa luta desigual, o docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) nota que existem cada vez mais esforços para combater o problema, seja uma maior discussão no seio da academia, seja o lançamento de iniciativas de literacia para os media.

Para ajudar a minorar o efeito das notícias falsas, João Figueira considera que é "indiscutível" a necessidade de "uma maior aposta na literacia para os media".

De acordo com o docente, o próprio livro, que conta com diversas contribuições de investigadores e professores portugueses e brasileiros, aponta também para essa necessidade.

"Não está presente em todos os contributos, mas em alguns, essa necessidade crescente de uma maior consciencialização por parte dos cidadãos", referiu.

Numa era "de permanente conectividade", o pensamento crítico "é cada vez mais necessário como forma de combater essa urgência em concluir depressa", salientam os organizadores do livro, João Figueira e Sílvio Santos, na introdução da obra, sustentando-se na contribuição do docente de Filosofia Luís António Umbelino para o livro.

No livro, Luís António Umbelino questiona se o desenvolvimento da difusão da informação "não deveria porventura ser concomitante de uma simétrica preocupação pelo desenvolvimento do espírito crítico e da avaliação sensata, do ceticismo prudente e do pessimismo ilustrado, do interesse pela novidade e da prudência reflexiva".

Para João Figueira, as escolas "não podem só ensinar a ler e a escrever, mas também a interpretar".

No entanto, reconhece que quando se fala de processos de educação está-se a falar de "processos longos e que demoram tempo", ao mesmo tempo "que a dimensão operativa da tecnologia é algo extremamente veloz e permanente".

"Este mundo novo renova-se quase diariamente e nós vamos sempre atrás", constatou.

Questionado pela agência Lusa sobre a necessidade de regulação de plataformas, João Figueira referiu que essa ideia "parece ter alguma bondade", mas assume "as maiores reservas sobre a sua eficácia".

"O crime está regulado e regulamentado, mas não desapareceu. É uma questão muito mais exigente e profunda, que tem a ver com a natureza humana, com uma dimensão ética", afirmou, considerando que as notícias falsas - que não são novas, mas que foram amplificadas no ecossistema mediático atual - são, "se calhar, a epidemia do século XXI".

Apesar de considerar que, "provavelmente, falta um cinto de segurança na Internet", o docente questiona como é que "esse cinto de segurança se põe".

"Esta é uma questão à escala global, com enquadramentos diversos. Eu posso registar um 'site' na Singapura e está disponível em Portugal e o regime jurídico português não vai lá. Não vale a pena tentar acabar o problema a nível local, quando tem uma dimensão planetária", vincou.

O livro que é apresentado na terça-feira começou a ser preparado em 2018 e conta com a contribuição de mais de dez investigadores e docentes portugueses e brasileiros, não apenas da área das ciências da comunicação ou do jornalismo, como também da filosofia ou das ciências políticas.

Entre outros, participam na obra a docente da Universidade Nova de Lisboa Carla Baptista, o professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo Ciro Marcondes Filho, o docente da Universidade do Porto Fernando Zamith ou o professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro Muniz Sodré.

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