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Crime económico. PGR vai formar magistrados sobre recuperação de ativos

A Procuradora-Geral da República anunciou hoje que vai iniciar, em março de 2020, um projeto de formação para magistrados sobre recuperação de ativos, sublinhando a necessidade de "cortar o fluxo financeiro" que resulte da prática de crimes económicos.

Crime económico. PGR vai formar magistrados sobre recuperação de ativos

"A eficácia do combate ao branqueamento de capitais depende em larga medida da atenção a esta dimensão patrimonial do crime. É indispensável asfixiar financeiramente todos aqueles que encontram no crime a forma de obter lucro", precisou Lucília Gago, que participou hoje na conferência "A justiça no fisco e na função pública", promovida pelo Centro de Arbitragem Administrativa (CAAD), em Lisboa.

A Procuradora-Geral da República adiantou que, em 2018, foi possível aplicar medidas de garantia patrimonial com vista a assegurar a futura declaração de perdas de bens e valores a favor do Estado no valor de 10,9 milhões de euros, mas mostrou-se convicta de que "há margem de progressão" nesta matéria.

Afirmando que a Procuradoria-Geral da República (PGR) está empenhada na criação de uma efetiva cultura de recuperação dos ativos do crime em Portugal em que todos os magistrados do Ministério Público "interiorizem a indispensabilidade de realizar uma investigação patrimonial e financeira tendente a confiscar aos criminosos as vantagens que obtiveram com a prática do crime", Lucília Gago adiantou que a procuradoria está a implementar um projeto, com início em março de 2020, direcionado para a formação de magistrados no âmbito da recuperação de ativos.

"Desenganem-se os que consideram que a única resposta a estes fenómenos criminais consiste na aplicação de uma pena", referiu para sublinhar que a resposta tem de considerar a dimensão criminal, com a aplicação de uma pena, e da responsabilização patrimonial através do confisco das vantagens económicas obtidas com a prática do crime.

"Pretendemos instituir no Ministério Público procedimentos uniformizados que reflitam essa necessidade de considerar em qualquer investigação não só a ocorrência do crime, mas também a necessidade de declarar perdido a favor do Estado todo o benefício económico gerado pelo o crime ou seja toda e qualquer vantagem patrimonial que o crime tenha gerado", precisou ainda Lucília Gago.

A procuradora-geral da República precisou ainda que o confisco das vantagens do crime afigura-se como uma das "componentes fundamentais na eficácia" do combate a todos os fenómenos criminais sendo "especialmente eficaz" no combate ao crime económico-financeiro.

"Confiscar todas as vantagens patrimoniais, ou seja, todo e qualquer benefício económico obtida com o crime é a única forma não ingénua de combater a criminalidade económico-financeira", referiu Lucília Gago, sublinhando que a estratégia se baseia na ideia simples de garantir que o crime não compensa.

"Não poderá permitir-se que a uma criminalidade cada vez mais focada no lucro responda o Estado com uma investigação que desconsidere a adoção de mecanismos tendentes a remover os benefícios obtidos e se concentre apenas na aplicação de uma pena ao agente", indicou ainda a procuradora.

Considerando que os desafios que se colocam reclamam ao Ministério Público uma postura proativa, Lucília Gago adiantou que no âmbito do projeto de recuperação de ativos, a PGR irá desenvolver por todo o país, entre março de 2020 e março de 2022, ações de formação.

Neste âmbito será ainda promovida uma conferência internacional e a criação de um manual de boas práticas, bem como uma plataforma permanente de partilha de saberes e boas práticas entre todos os magistrados do Ministério Público.

Leia Também: PGR alerta para falta de magistrados na jurisdição administrativa

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