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Magno tem apenas seis anos e já visitou 56 países. E há mais 10 na agenda

Menino começou a viajar com apenas um mês de idade. A mãe já visitou cerca de 100 países, o pai 70. Conheça esta família portuguesa, que vive na Suíça, e que viaja por todo o mundo.

Magno nasceu há seis anos em Portugal. Com apenas um mês fez a primeira viagem com os pais, viajantes apaixonados e já com algumas dezenas de jornadas no currículo. Desde essa altura, quando ainda era um bebé, nunca mais parou. Já conheceu 56 países, de quatro continentes, e na agenda tem mais 10 viagens já programadas.

O Notícias ao Minuto falou com a mãe de Magno, Susana Vale, o “elemento criativo” da família, que criou o blog e conta de Instagram ‘Mundo Magno’, onde a família relata as suas viagens e dá dicas a outros viajantes.

Além das peripécias e da história da família, que vive há cinco anos na Suíça, quisemos saber como é viajar com uma criança tão pequena e como vão fazer quando Magno entrar na escola primária.

Numa entrevista divertida, Susana revelou qual o país preferido de Magno. A resposta pode surpreendê-lo.

Antes de mais quem são as pessoas que constituem o 'Mundo Magno'?

Sou portuguesa, mas passei parte da minha infância em França. Atualmente trabalho como jurista num organismo internacional. Antes disso era advogada e Inspetora em Portugal. Sou apaixonada por desportos de aventura. Faço queda livre, escalada, mergulho, ski, etc. Adoro fotografia e fotografar, mas ultimamente, e com alguma pena, estou mais vezes à frente da câmara. O Márcio recusa-se a pôr os vestidos, flores no cabelo e posar para as fotos… não se percebe [risos]. Sou eu que organizo as viagens (mas quando corre mal digo que foi o Márcio) e sou o elemento “criativo” do Mundo Magno. Tenho folhas sem fim com desenhos com ideias de fotografia e acordo a meio da noite para escrever ou desenhar. É toda uma inquietação que aqui vai.

Já o Márcio é tão mas tão do Porto que até nasceu na Sé. É Head of Technology da UBS Partners. Adora escalar e coisas geek e estranhas. É quem carrega o Magno ao colo, às costas e de trenó pelo mundo fora. E é quem executa muitas das parvoíces, perdão, ideias artísticas, que lhe ponho à frente. Como aquele dia em que num domingo, às 7h da manhã e com um frio de rachar, lhe disse que tínhamos de ir até ao lago para recriarmos um registo fotográfico de uma ‘Ophelia’.

O Magno nasceu no Porto e veio para a Suíça com alguns meses de vida. É o maior tagarela. E o pior é que consegue tagarelar em quatro línguas diferentes, o que torna a coisa ainda mais complicada. É o miúdo mais incrível do meu mundo. É destemido, tem uma auto estima ao nível “quero ir hoje escalar o Mont-Blanc” e ai de quem lhe disser que não consegue, é comunicativo e ‘ilumina’ tudo onde entra. Quer ser astronauta, médico de gatos e bob o construtor quando crescer e não tenho dúvidas que vai conseguir conjugar tudo. É o meu ‘role model’ e um dia gostava de ser como ele.

Quando é que começou esta aventura? Como é que surgiu a ideia de viajarem tanto?

Eu sempre viajei muito quer sozinha, em família ou com amigos. Mal nos conhecemos [a Susana e o Márcio] fizemos a nossa primeira viagem juntos, mais precisamente à Índia, sobrevivemos a três semanas a viajar em comboios sobrelotados e a dormir em hostels a 2 euros por noite e nunca mais parámos.

O Magno fez a sua estreia com um mês de vida. Adora viajar, até porque nem sabe o que é isso de não viajar E porquê o nome Magno?

Queríamos um nome único, marcante, forte e clássico. Um nome que dispensasse o sobrenome. Um nome que evocasse a vida de aventuras e conquistas que imaginávamos que viria a ter. E ficou Magno, o pequeno Magn(o)ífico.

E ele gosta de viajar?

Adora viajar, até porque nem sabe o que é isso de não viajar mas, claro, também tem dias em que não lhe apetece, tal como todos nós.

Com quanto tempo de vida começou o filhote a viajar?

O Magno fez a sua estreia com um mês de vida.

Quais são as maiores dificuldades de viajar com uma criança?

As coisas boas superam largamente as dificuldades mas, sem dúvida, a preocupação com questões relacionadas com a saúde, especialmente em países mais ‘exóticos’ e distantes dos nossos padrões de normalidade, apesar de viajarmos com um bom seguro de saúde, com uma farmácia de viagem e com os conselhos e apoio do médico pediatra dele.

Ele já entrou para a escola primária? Como é que vão conseguir manter este ritmo de viagens nessa altura?

O Magno está no segundo ano do infantário. Entrará na primária no próximo ano letivo. Não acho que vá afetar as nossas viagens porque aqui [na Suíça] a escola pára a cada mês e meio para além das férias de Natal, Páscoa e verão. Se assim o entendermos podemos até vir a optar pelo homeschooling como tantas famílias viajantes fazem. Onde há vontade há uma solução.

Quantas vezes por ano fazem então as malas?

Chegamos a nem as desfazer [risos]. No mínimo 8 a 10 vezes por ano sem contar com fins de semana prolongados e viagens de trabalho a acompanhar o Márcio.

Que dicas têm, como experientes viajantes, para viajantes 'amadores'?

Para quem quer começar a viajar com os filhos (abro um parêntese para dizer que não há aqui nenhuma intenção de evangelização. Cada família sabe o que é melhor para si e se quer/pode levar os filhos em viagem) nada como passar da vontade ao ato.

O melhor é sempre começar com uma viagem pela Europa, pela proximidade cultural e pela facilidade em encontrar alimentos e restantes comodidades semelhantes a Portugal. Fora da Europa, o sudeste asiático é sempre uma opção tranquila para famílias em viagem e já com um sabor a aventura e novidade. Acompanhar blogues de famílias que viajam para inspiração e para tirar eventuais dúvidas é sempre uma boa ajuda e muitas vezes aquele pequeno empurrão para partir também à aventura.

As coisas nunca correm mal. Ou correm bem ou ficamos com mais uma história para contarJá viveram alguma situação insólita? Contem tudo…

Não há assim nada de dramático ou então somos nós que somos muito descontraídos e dificilmente “stressamos” com os pequenos contratempos de viagem. Mas há dois anos, tinha o Magno 4, fomos passar o Natal à Namíbia (passamos sempre o Natal em viagem). Tínhamos um jipe, 2000 quilómetros pela frente, quase duas semanas e um dos países mais despovoados e bonitos do mundo para desbravar.

Na secção mais inóspita de todas o nosso jipe ficou sem travões. Conseguimos fazer mais uns 200 quilómetros em estrada de gravilha e só com a ajuda do travão de mão até chegar a uma interseção onde a empresa de aluguer nos conseguiria levar um novo jipe um dia depois. Dormimos na tenda literalmente no meio do nada no deserto Kalahari com as raposas e antílopes a passear à nossa volta. Já com o novo jipe, e agora no deserto da Namíbia, uma pedra partiu-nos completamente o vidro na véspera de Natal. Não havia nada aberto onde o trocar nos próximos dias e passámos a noite de Natal e os dias seguintes com o vento africano a pentear-nos o cabelo estrada fora. E porque não há duas sem três, ainda na Namíbia, queríamos visitar o Sossusvlei. Tínhamos um 4x4 e os primeiros 65 quilómetros não seriam problema mas os últimos 5 para chegar ao Deadvlei são areia pura e mole. Vimos uns vídeos no Youtube sobre ‘como conduzir jipes em areia para totós’ e ficámos a sentir-nos uns autênticos profissionais ao nível “vamos inscrever-nos no Paris-Dakar já amanhã”.

Não sei como é que foi possível, mas ficámos ‘atascados’ até aos guarda lamas e os poucos jipes que ainda passavam aquela hora, já ao fim do dia, não conseguiam parar para nos ajudar senão também não conseguiriam sair. E foi assim que passámos mais uma noite incrível a 60 quilómetros do ser humano mais próximo sob um dos céus mais estrelados de sempre.

E já alguma coisa correu mal?

As coisas nunca correm mal. Ou correm bem ou ficamos com mais uma história para contar.

Quantas viagens já fez a Susana, o Márcio e o Magno?

Como me entretenho a contar os países do Magno deixei de contar os meus, mas no meu caso cerca de 100 países, o Márcio à volta de 70 e o Magno 56, com mais uns 10 marcados para os próximos meses.

Qual é o vosso país preferido?

É muito difícil escolher só um país num mundo tão cheio de diversidade. Mas o Butão, a região do Tibete, o Quénia, a Índia, a Namíbia, as Galápagos no Equador e a Islândia estão indubitavelmente no pódio e não vai ser fácil tirá-los de lá.

E qual a viagem preferida do Magno?

Ele adora Portugal. Se eu o deixasse escolher só íamos a Portugal. Mas adorou as road trip em África por causa dos bichos e das tendas onde dormíamos por cima do jipe. Até já estamos a planear a próxima incursão em terras africanas.

E o blog e Instagram Mundo Magno? Como funciona?

Somos uma desgraça nesta coisa de alimentar redes sociais. Os verdadeiros “desinfluenciadores”. Publicamos e partilhamos quando podemos, mas sempre com muito carinho para quem nos segue e com muito carinho de volta.

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