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Crise nos media potencia áreas de negócio que põem "em cheque" jornalismo

A diretora da agência Lusa defendeu hoje, em Lisboa, que a crise nos órgãos de comunicação social potencia, muitas vezes, áreas de negócio que "põem em xeque a missão básica" de um jornalista.

Crise nos media potencia áreas de negócio que põem "em cheque" jornalismo

"Hoje nenhum jornalista pode ser imune a que existe uma crise nos órgãos de comunicação social, que os leva, na busca pela sobrevivência, a atitudes ou a enveredar por áreas de negócio que põem em cheque a missão básica de um jornalista", defendeu Luísa Meireles, que falava durante o VIII Encontro da Plataforma das Entidades Reguladoras da Comunicação Social dos Países e Territórios de Língua Portuguesa (PER).

De acordo com esta responsável, o jornalista "no estado puro" e que seguisse os códigos de ética e deontologia estaria imune à desinformação ('fake news'), porém, ressalvou que nenhum profissional vive "em estado puro", mas "imerso no seu contexto", condicionado, muitas vezes, pela empresa e pelas condições em que trabalha.

Luísa Meireles sublinhou ainda que, atualmente, o jornalista, tal como os restantes cidadãos, é "bombardeado" com várias notícias, sendo obrigado a fazer uma destrinça entre elas.

"Quando há uma tomada de posição, por exemplo, de um político, no Twitter [ou noutra rede social], a tendência [...] é fazer a notícia rapidamente e colocá-la no online. No entanto, na Lusa só o fazemos após falar com o responsável pela mesma publicação. É uma coisa rara, mas ainda bem que o conseguimos fazer", assegurou a diretora da agência noticiosa, alertando que o jornalista "é o coveiro da sua própria profissão".

Intervindo no mesmo debate, que teve como mote "regulação e desinformação ('fake news'), o provedor da RTP disse que a "autorregulação é sempre melhor que a heteoregulação", vincando que a existência de um provedor melhora não só a qualidade da informação como, no caso das televisões, do entretenimento.

"No mundo desregulado em que vivemos, um regulador pode sempre tentar ir mais longe. O que me preocupa, verdadeiramente, é que a regulação vem de um mundo que está a acabar e a desinformação de um mundo para o qual caminhamos", afirmou Jorge Wemans.

Por sua vez, a responsável de políticas públicas da Google Portugal destacou que a empresa tem a missão de disponibilizar informação de qualidade, tendo uma visão "muito positiva" do impacto da economia na sociedade.

"Antes de existirem plataformas como a busca, o YouTube ou o próprio Google Maps, o acesso à informação era muito mais restrito", ilustrou Helena Martins.

Esta responsável referiu ainda que a Google está empenhada em combater a desinformação tendo, por exemplo, feito parcerias com pesquisadores e trabalhado com os seus engenheiros, de modo a "ajustar os algoritmos para darem mais relevância a notícias que vêm de fontes credíveis".

Porém, Helena Martins ressalvou que "atores com ideias maliciosas vão sempre encontrar formas de subverter as políticas".

Já Pedro Xavier Mendonça do Centro Nacional de Cibersegurança em Portugal notou que a desinformação tem uma componente tecnológica "muito grande", uma vez que se propaga no ciberespaço.

No que se refere ao combate à desinformação, Xavier Mendonça disse que o centro de cibersegurança realizou vários exercícios e iniciativas, envolvendo diversos 'stakeholders' (partes interessadas) para abordar esta temática.

"Lançámos também uma campanha 'online' muito ligada à literacia, sobretudo, digital. O próprio enquadramento com que as notícias falsas aparecem sugere que a notícia é verdadeira e há uma dissimulação que é preciso considerar", concluiu.

As notícias falsas, comummente conhecidas por 'fake news', desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância, por exemplo, nas presidenciais dos EUA que ditaram a eleição de Donald Trump ou no referendo sobre o 'Brexit no Reino Unido.

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