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Grande parte da desinformação não tem origem política

A maioria das pessoas tem a tendência para pensar nas 'fake news' como tendo um objetivo, no entanto, a maioria dessas notícias não tem uma origem política, assegurou hoje, em Lisboa, a professora Joana Gonçalves de Sá.

Grande parte da desinformação não tem origem política

"Temos tendência a pensar na desinformação ['fake news'] como tendo um objetivo, mas a verdade é que a maioria dessas notícias não tem uma origem política, pretendem garantir que mais pessoas visitam determinado 'site'", disse a docente da Nova School Business & Economics, que falava durante o VIII Encontro da Plataforma das Entidades Reguladoras da Comunicação Social dos Países e Territórios de Língua Portuguesa (PER).

Segundo esta especialista, a desinformação, em muitos casos, não tem por trás uma ideologia, mas pretende causar alguma "confusão", apresentando "cenas de humor ou paródia" que, posteriormente, são entendidas como "sendo verdade".

Citando dados da revista Science, Joana Gonçalves de Sá afirmou que, quando se comparam notícias falsas com verdadeiras, são as falsas que vencem nos principais critérios, nomeadamente, na velocidade de partilha ou no número de partilhas.

Por outro lado, a mesma publicação demonstrou que as chamadas contas 'robots', controladas por computador para espalhar artigos, partilham, à mesma velocidade, tanto notícias como desinformação ('fake news').

Os artigos "chegavam e eram partilhados. É como se as contas 'robots' não conseguissem distinguir quais são as notícias verdadeiras e as falsas", explicou.

Já no que se refere à preferência pela desinformação, a especialista levantou várias hipóteses.

"Porque somos demasiado confiantes, porque pensar dá trabalho, porque acreditamos que queremos acreditar ou porque acreditamos no que os nossos amigos acreditam", exemplificou.

Durante a sua intervenção, Joana Gonçalves de Sá explicou também que uma das formas de encarar as 'fake news' é como um "agente infeccioso", sendo os humanos o hospedeiro que, posteriormente, vai espalhar esse vírus.

"Claramente precisamos de definir uma política, que não temos, para o trabalho nas redes sociais. Tenho defendido a capacidade de regulação porque sem isso não nos podemos defender. É fundamental que cada um dos países tenha mecanismos legais para fazer a regulamentação, de modo a proteger a sociedade", sublinhou.

No entanto, a docente apresentou também alguns casos de sucesso no que se refere ao combate à desinformação, como a Finlândia que luta há vários anos contra este problema, nomeadamente, desenvolvendo um "espírito crítico nos estudantes, sem a dúvida permanente", concluiu.

As notícias falsas, comummente conhecidas por 'fake news', desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância, por exemplo, nas presidenciais dos EUA que ditaram a eleição de Donald Trump ou no referendo sobre o 'Brexit no Reino Unido.

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