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Trabalhadora sofre "humilhação" ao urinar na caixa. Pingo Doce desconhece

Trabalhadora terá pedido para ser substituída na caixa para ir à casa de banho. O pedido ter-lhe-á sido negado, acabando por urinar no posto de trabalho. O grupo Jerónimo Martins diz não ter encontrado "qualquer fundamento" para a denúncia em causa.

Trabalhadora sofre "humilhação" ao urinar na caixa. Pingo Doce desconhece

"Uma trabalhadora sofreu a brutal humilhação de se urinar no posto de trabalho, impedida de sair do local, mesmo depois de pedir várias vezes para ser substituída, numa das caixas da loja do Pingo Doce da Bela Vista, em Lisboa", denuncia o CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços que divulgou publicamente o caso esta segunda-feira no site da CGTP.

Questionada pelo Notícias ao Minuto, fonte oficial da Jerónimo Martins confirma ter tido conhecimento da denúncia, tendo o Pingo Doce procurado "apurar os factos". Contudo, aponta, "não existe conhecimento deste caso nem da parte das chefias nem da parte dos colaboradores".

Por esse motivo, a empresa proprietária do Pingo Doce realça não ter encontrado "qualquer fundamento" para a denúncia em causa. A Jerónimo Martins defende, aliás, que para lá dos intervalos de descanso legais, o Pingo Doce "dá aos seus trabalhadores tempo de pausa extra durante a jornada de trabalho".

"Além disso, qualquer trabalhador que necessite de se ausentar por motivos de força maior, tem sempre essa possibilidade, informando previamente a sua chefia", frisa ainda a mesma fonte da Jerónimo Martins.

"Repressão" e "clima de intimidação"

Versão distinta é a do CESP. O sindicato que acompanhou o caso garante ter recebido a denúncia e refere que não é a primeira vez que situações "lamentáveis" como esta acontecem nas lojas do Pingo Doce, onde os trabalhadores são mantidos "abaixo dos mínimos".

A repressão a que os trabalhadores são submetidos pela responsável de loja tem dado azo a muitas situações humilhantesEstes casos resultam da "pressão" a que os trabalhadores são sujeitos, da falta de pessoal e de um certo "autoritarismo das chefias", sublinhou fonte sindical ao Notícias ao Minuto, considerando estarmos perante um caso de "desrespeito total pelos direitos dos trabalhadores e pela sua dignidade". O sindicato denuncia também que é a própria empresa - "que mantém os seus trabalhadores abaixo dos mínimos" - a fomentar um "clima de intimidação" que é sentido na generalidade das lojas Pingo Doce.

São, por isso, "várias as queixas de episódios igualmente lamentáveis um pouco por todo o país". No caso concreto da loja Pingo Doce da Bela Vista, o sindicato refere que "a repressão a que os trabalhadores são submetidos pela responsável de loja tem dado azo a muitas situações humilhantes" como a agora exposta. 

De acordo com Luísa Alves, dirigente do CESP, o caso agora denunciado ocorreu no passado dia 27 de outubro e foi comunicado ao sindicato por uma colega da trabalhadora em causa que tomou conhecimento do episódio.

Em declarações ao Notícias ao Minuto, Luísa reforça as críticas relativamente à forma como os trabalhadores são tratados naquela loja. É um ambiente de "grande repressão", critica. "É inaceitável. Não estamos no século passado", acentua, lamentando a situação relatada, que, a julgar pelos relatos dos trabalhadores, já aconteceu noutras ocasiões no ano passado. 

Assim que tomou conhecimento do caso, o sindicato enviou um ofício à empresa. "A nossa perspetiva é que a empresa resolva a situação", diz. Isto é, que não permita que este tipo de situações se repitam. 

A dirigente sindical denuncia ainda que muitos dos trabalhadores daquela loja "são obrigados a estar o dia todo de pé", dado que muitas das cadeiras das caixas têm mais de 20 anos de uso. "A maioria está partida", conta. Situação que já foi transmitida à empresa mas que ainda não foi resolvida, segundo Luísa Alves. "[A empresa] fez ouvidos moucos", queixa-se. 

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