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Julgamento: Bruno de Carvalho identifica-se como "comentador desportivo"

O julgamento dos 43 arguidos no caso da invasão à Academia de Alcochete arrancou esta manhã de segunda-feira e está agora em pausa para almoço. Fique a saber o que já foi dito em tribunal.

Julgamento: Bruno de Carvalho identifica-se como "comentador desportivo"

O julgamento do processo do ataque à Academia de futebol do Sporting, em Alcochete, começou na manhã desta segunda-feira no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, com 43 arguidos, entre os quais o ex-presidente do clube Bruno de Carvalho.

Apesar de o advogado do ex-líder leonino o ter garantido à entrada para o tribunal, Bruno de Carvalho ainda não falou. Apenas se identificou como comentador desportivo. “Faço comentários desportivos”, disse à juíza, segundo avança a TVI 24.

Já Bruno Jacinto foi o único dos arguidos que prestou declarações no arranque do julgamento. O ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting afirmou em tribunal que soube na véspera da intenção da claque Juventude Leonina de ir à Academia.

Bruno Jacinto contou que foi informado por Tiago Silva, gestor de bilhetes da claque, sobre a ida à academia e disse que era “normal membros da claque irem à academia falar com os jogadores e treinadores” quando havia maus resultados.

O arguido disse ainda que informou André Geraldes, ex-team manager da equipa de futebol, por mensagem, mas que este não lhe respondeu, mesmo depois de o tentar contactar várias vezes.

Já no dia 15, Bruno Jacinto diz que, às 16h45, avisou o segurança da academia, Ricardo Gonçalves, de que iam lá alguns adeptos que queriam falar especificamente com três jogadores: Acuña, Battaglia e Rui Patrício.

E porque é que só o fez nesse momento? Porque André Geraldes não atendeu e porque teve “muito trabalho”, disse Bruno Jacinto ao coletivo de juízes, admitindo que só o fez depois de ter ido à Academia.

“Quando cheguei ainda consegui ver algumas pessoas a correr na estrada”, recordou. “De cara descoberta?” perguntou a juíza. “Alguns sim”, respondeu.

Sobre a alegada autoria moral de Bruno de Carvalho, Bruno Jacinto disse que ouviu uma conversa entre Fernando Mendes, Mustafá e Tiago Silva, no aeroporto da Madeira, após a derrota do Sporting com o Marítimo, em que um deles, que não consegue dizer qual, terá afirmado que o presidente tinha dito “façam o que quiserem”.

Os restantes arguidos, incluindo Bruno de Carvalho, optaram pelo silêncio, pelo menos até à pausa do almoço do julgamento.

Já à saída do tribunal, para a pausa de almoço do julgamento, Bruno de Carvalho não quis falar. “Não há balanços nenhuns a dar. Podemos todos almoçar agora? Obrigadíssimo”, atirou.

Julgamento começa um ano e meio depois do ataque

Recorde-se que o julgamento do processo do ataque à academia de futebol do Sporting, em Alcochete, começa hoje no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, com 44 arguidos, entre os quais o ex-presidente Bruno de Carvalho.

O processo pertence ao Tribunal de Almada, mas por "questões de logística e de segurança" realiza-se em Monsanto, em Lisboa, explicou anteriormente à agência Lusa fonte judicial, e terá como presidente do coletivo de juízes Sílvia Pires.

Em 1 de agosto, o juiz de instrução criminal Carlos Delca pronunciou (decidiu levar a julgamento) todos os arguidos nos exatos termos da acusação do Ministério Público (MP), deduzida pela procuradora Cândida Vilar, depois de vários arguidos requererem abertura de instrução, fase facultativa que visa decidir se o processo segue e em que moldes para julgamento.

Na decisão instrutória, este juiz determinou que todos os arguidos que se mantinham em prisão preventiva passassem para prisão domiciliária (OPHVE), exceto o líder da claque Juventude Leonina, 'Mustafá', que continua em prisão preventiva.

Com Obrigação de Permanência na Habitação, com Vigilância Eletrónica (OPHVE), permanecem 36 dos 44 arguidos, depois de Elton Camará ter cortado a pulseira eletrónica, o que levou um juiz a ordenar a prisão preventiva deste arguido.

Bruno de Carvalho, que até esse dia estava sujeito à medida de coação de apresentações diárias às autoridades e ao pagamento de uma caução de 70.000 euros, passou a estar obrigado a apresentar-se quinzenalmente.

A acusação do Ministério Público (MP), assinada pela procuradora Cândida Vilar, conta que, em 15 de maio de 2018, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, distrito de Setúbal, por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina e do subgrupo Casuais (Casuals), que agrediram técnicos, jogadores e 'staff'.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque à academia, o MP imputa-lhes a coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Estes 41 arguidos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

Para a procuradora Cândida Vilar, que viu a acusação do MP confirmada pelo juiz de instrução criminal Carlos Delca, o então presidente do clube, Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto estavam a par do plano e "nada fizeram" para impedir o ataque.

"Bruno Jacinto, Bruno de Carvalho e Nuno Mendes [Mustafá] conheciam o plano delineado pelos restantes primeiros 41 arguidos e determinaram-nos à prática dos crimes de ameaça, ofensa à integridade física e sequestro", lê-se na acusação.

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